Grupos protestam contra morte de rapaz
Ato na Praça da República, em São Paulo, reuniu representantes de gays, punks, nordestinos e de direitos humanos, que pediram paz
Agência Estado
De São Paulo
France PresseVIGÍLIAManifestantes seguram velas durante ato na Praça da República, em São Paulo, onde ocorreu a agressão que resultou na morte de Edson NeriRepresentantes de grupos gays realizaram anteontem na Praça da República, região central de São Paulo, uma manifestação em memória do adestrador de cães Edson Neri da Silva, morto no dia 6 deste mês. O local onde foi encontrado o corpo do rapaz ficou coberto por flores e cartazes pedindo justiça. O ato reuniu cerca de 400 pessoas. Uma campanha contra a violência sexual será lançada em março em todo o país pelas cerca de 80 entidades representadas pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT).
Integrantes de grupos punks, nordestinos e de direitos humanos também participaram. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e a vereadora Aldaiza Sposati (PT) estiveram no local. ‘‘É preciso assegurar o direito de não ser discriminado’’, disse o senador. ‘‘Esse linchamento representa um sistema de ideologia, fruto de manifestações de ódio que tem que acabar. Nós, gays, lésbicas, negros, nordestinos e judeus precisamos nos mobilizar’’, conclamou Cláudio Nascimento, secretário geral da Associação Brasileira de Gays e Lésbicas.
Por volta das 18 horas, os manifestantes deram as mãos e formaram uma grande corrente, simbolizando a união dos grupos excluídos. De acordo com o manifesto entregue pela Associação Brasileira de Gays e Lésbicas do Brasil, 1.600 homossexuais foram assassinados nos últimos dez anos no País, vítimas de preconceito. Dados da Anistia Internacional, segundo o manifesto, apontariam o Brasil como o País que os homossexuais sofrem mais violência.
‘‘Quando eu vejo um grupo de skinheads, trato logo de parar de rebolar e me finjo de macho’’, contou Marcelo Zanelli, 20 anos. ‘‘Já apanhei de um careca e sei como 钒. Às 19 horas, um grupo se dirigiu à Rua Barão de Limeira para a celebração de uma missa em memória do rapaz assassinado. ‘‘Nós não estamos de luto, nós despertamos para a luta’’, afirmou o presbítero, Ralf Thimóteo, de 40 anos, da Comunidade de Gays e Lésbicas, uma igreja ecumênica que reúne cerca de 50 membros.
Às 21h30, os manifestantes se concentraram na Rua Vieira de Carvalho, centro, em frente ao Café Vermont, ponto de encontro dos GLSs, e munidos de velas se dirigiram à Praça da República, no local onde foi encontrado o corpo do rapaz, que foi coberto por flores, velas e cartazes pedindo paz.

mockup