Grupos LGBTI se mobilizam após morte de travesti em Londrina
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terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local </br> 
Grupos de Apoio LGBTTI+ vão protestar contra a morte da travesti Scarlety Mastroianny, 35, que morreu depois de ter sido esfaqueada e espancada na avenida Leste Oeste na madrugada de segunda-feira (10). Três homens acusados pelo crime foram presos em flagrante.
O Coletivo de Travestis ElityTrans, o Fórum LGBTI e o grupo de homens trans, Resiliência T se reúnem na noite desta terça-feira (11) para discutir a mobilização e manifestações.
Scarlety morreu na hora e não portava documentos. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos do assassinato, com idades entre 25 e 28 anos, estavam em um carro que rondava o local. Ao descerem do veículo, o trio teria atacado duas travestis. Uma conseguiu fugir. Scarlety teria lutado com os agressores e atingido um dos suspeitos, Um deles foi encontrado com lesões de faca e procurou atendimento no Hospital Zona Sul. O veículo foi encontrado pela Guarda Municipal abandonado na avenida Dez de Dezembro. A Polícia Civil segue na investigação do caso.
A servidora pública Vicky Reale contou que foi ao IML (Instituto Médico Legal) mas não foi preciso reconhecer o corpo, porque um primo da vítima já o tinha feito. "Tivemos esse cuidado e carinho pois sabemos que muitas meninas vêm de fora e muitas vezes são enterradas como indigentes em situações assim, e não tem a identidade de gênero respeitada nem depois da morte", disse. Reale, que é travesti, relatou que se sentiu impactada com o ocorrido. "Sou servidora pública municipal, não estou na Leste, tenho vários privilégios de não me expor na rua que minhas 'manas' infelizmente não têm".
VIOLÊNCIA
A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) estimou, em relatório produzido no ano passado, pelo "Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais" que a cada 48 horas uma pessoa trans é morta no País, com uma idade média de 27,7 anos. Em 2017, o relatório alega que foram 179 assassinatos, sendo 169 de travestis e mulheres trans e 10 de homens trans.
De acordo com dados levantados pela Associação, "90% da população de travestis e transexuais utilizam a prostituição como fonte de renda, e possibilidade de subsistência, devido à dificuldade de inserção no mercado formal de trabalho e a deficiência na qualificação profissional causada pela exclusão social, familiar e escolar".
Pelo mapa, 70% dos assassinatos foram direcionados às travestis que são prostitutas, sendo 55% deles nas ruas e 85% com requintes de crueldade. Segundo os coletivos, no Paraná foram oito homicídios no ano passado. Neste ano, foram seis.


