Grupos do PT expõem divergências em encontro
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a Agência Estado 
Belém, 8 (AE)- A luta interna entre as tendências moderada e radical do Partido dos Trabalhadores não poupou nem mesmo o recém reeleito presidente petista, deputado José Dirceu, que participa em Belém do 2o Encontro pela Humanidade e Contra o Neoliberalismo.
Vaiado e chamado de pelego por um grupo durante sua palestra, ontem (7), Dirceu deu o troco, afirmando que tinha um passado de lutas em favor da redemocratização do país. Mais tarde, tentou minimizar o episódio, dizendo aos jornalistas que vaias "fazem parte da democracia". Um outro grupo do PT, logo em seguida, também vaiou e gritou palavras de ordem contra o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), que ameaçou partir para a briga com os rivais petistas. Depois, mais contido, Rodrigues responsabilizou as elites, o governo FHC e os neoliberais pela existência de "30 milhões de brasileiros que vivem em estado de miséria absoluta".
Na mesa dos debates estavam representantes de partidos de esquerda da França e Espanha, além de guerrilheiros mexicanos e colombianos. "Estamos aqui porque fomos eleitos pelo povo zapatista para participar desse encontro. Essas divergências entre partidos são naturais", resumiu o guerrilheiro "Abrahão", do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México. Ele e a guerrilheira "Luzia" estavam encapuzados na reunião por "questão de segurança".
O sindicalista e dirigente do Partido Comunista Francês, Jean Pierre Page, o jornalista e professor da Universidade de Havana, Eddy Pérez, além do professor de Filosofia e Ética da Universidade de Campinas, Roberto Romano, criticaram a política imperialista dos Estados Unidos na América Latina, afirmando que ela desrespeita a soberania dos povos do continente, aprofunda a miséria e agrava a dívida externa.
A falta de deliberações no encontro tem criado algumas barreiras, principalmente para alguns representantes de entidades sindicais de trabalhadores de países latino-americanos. Os da Argentina e Uruguai, por exemplo, queriam que fosse criado um bloco continental contra o desemprego e a internacionalização da produção. Mas foram alertados pelos organizadores do evento de que deveriam limitar-se às discussões.


