Grupos do PT do Rio preparam acordo para dirgir partido
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 03 (AE) - Encerrada a polêmica sobre as filiações fraudulentas ao PT do Rio, os principais grupos da legenda que responsabilizaram a Articulação, da vice-governadora Benedita da Silva, pelas irregularidades, preparam um acordo para dirigir o partido no Estado. O Opção Popular, do deputado Carlos Santana (PT-RJ), e o Refazendo, de esquerda, abriram um canal com o objetivo de debater um pacto de gestão para a agremiação. O diálogo não incluirá necessariamente chapas comuns anti-Articulação para a direção, mas isso, em tese, não está descartado. Ontem (02), a Executiva Nacional anulou 1.468 fichas irregulares.
Santana e o comando do Refazendo abriram as conversas na quinta-feira (30), com uma avaliação pessimista do quadro interno: a Executiva Nacional validaria todas ou a maioria das filiações suspeitas, configurando um quadro de nova intervenção pró-Articulação no Estado. Foi discutida a possibilidade de, confirmada essa hipótese, lançar uma chapa única anti-Articulação, mas a decisão da executiva foi outra. Santana é estratégico no PT, pois o Opção Popular representa cerca de 30% da legenda no Estado, e o apoio dele foi fundamental para a aliança com o PDT no governo estadual.
As gestões são mantidas em segredo, mesmo porque ainda não há nada concreto - oficialmente, Santana não confirma o diálogo com a esquerda do PT -, mas o discurso dos dois grupos está parecido. "O PT no Estado está fora das questões nacionais", criticou o parlamentar. Segundo ele, o que é certo é um acordo com a ala Campo Popular, capitaneada pelo líder do partido na Câmara do Rio, Adilson Pires, que descartou hoje a hipótese de uma aliança com o Refazendo ou a Articulação, "se permanecerem nas posições atuais".
No encontro com Santana, o Refazendo avisou que não abre mão de propor uma resolução de oposição ao governo do pedetista Anthony Garotinho, embora reconheça que terá dificuldades para a aprovar. A postura do Opção Popular, de exigir que o governo estadual se relacione com o partido por intermédio da Executiva Regional, foi vista pelo Refazendo com simpatia. As convenções começarão no fim de agosto. Em setembro, será a municipal, e, em outubro, a regional. Serão escolhidas as direções partidárias que conduzirão o processo eleitoral em 2000. Benedita e o deputado Chico Alencar, do Refazendo, disputam a indicação para concorrer à prefeitura.
Chico Alencar considerou que Benedita foi a grande derrotada nas anulações. "A decisão é prova irretorquível de que houve um processo espúrio", disse. Pires considerou a decisão justa e afirmou que é grave que as fraudes tenham sido comprovadas, assim como Santana.
"Isso é muito ruim para o PT do Rio." Benedita disse que "não estava numa guerra" para se considerar vitoriosa ou derrotada. "O PT sai fortalecido", disse, referindo-se à possibilidade de "legalização" de outras 1.191 fichas, aberta pela executiva.


