Londrina – Enquanto o Ministério da Educação (MEC) define o pacote de mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o setor privado de ensino superior elabora um novo modelo de financiamento, batizado de Fies 2.0, que deverá ser apresentado ao governo no mês que vem. Elizabeth Guedes, diretora-executiva da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes) reconhece o programa cresceu de forma descontrolada. Ela defende a continuidade do financiamento apenas para quem realmente precisa.
Para Elizabeth, o Fies deverá abranger apenas quem tem renda de três ou quatro salários mínimos. A diretora explica que a ideia central da proposta é que o Fies seja uma parceria público-privada, com recursos da União para quem realmente precisa e "não para financiar a classe média". Segundo ela, algumas escolas sem escrúpulos – que ela aponta como minoria - aumentaram as mensalidades, fizeram caixa com o Fies. "Também teve muita gente que trocou de carro, viajou pra Nova York porque não precisava pagar faculdade do filho. Todo mundo que pedia, conseguia o Fies, o que acabou redundando nesse desastre", expôe.
Economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) trabalham em um estudo de viabilidade dos financiamentos estudantis para a Abraes. Eles já haviam realizado uma pesquisa em 2014 mostrando que o Fies daria retorno positivo às contas públicas a partir de 2050, caso mantivesse o mesmo crescimento registrado até o ano passado. (C.F.)

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