Grupos de direitos humanos condenam uso de bombas de fragmentação
Nova York, 11 (AE-AP) - Um grupo de direitos humanos condenou nesta terça-feira o uso de bombas de fragmentação na campanha aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Iugoslávia, alegando que elas "transformam-se efetivamente em minas terrestres".
O grupo de direitos humanos Human Right Watch divulgou nota em Nova York pedindo à Otan que pare imediatamente de utilizar bombas de fragmentação.
"Os artefatos deixados pelas bombas de fragmentação transformam-se efetivamente em minas terrestres", disse Joost Hiltermann, diretor da Divisão de Armas da Human Rights Watch. "E como as minas terrestres, elas matam civis mesmo anos depois de o conflito terminar. A Otan deve parar de utilizá-las imediatamente."
Mas o porta-voz do Pentágono, capitão Mike Doubleday, disse que a atenção do grupo está "equivocada" e que este deveria prender-se às atrocidades cometidas pelo governo do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
"Os ataques da Otan estão reduzindo a capacidade de Milosevic prosseguir com sua campanha de terror. O arsenal utilizado nestes ataques é cuidadosamente selecionado, levando em conta a localização dos alvos e os danos potenciais não-intencionais", disse ele. "A Otan foi extraordinariamente detalhada para evitar ferimentos em civis inocentes."
Informações provenientes da Iugoslávia culpam as bombas de fragmentação, que libera explosivos que são novamente detonados, por pelo menos 15 mortes em 7 de maio, quando explodiram perto de um complexo hospitalar e de um mercado em Nis.
Segundo a Human Rights Watch, as bombas são particularmente perigosas por causa de sua aparência. Algumas parecem latas de refrigerante, outras parecem bolinhas de tênis - o que atrai particularmente a atenção das crianças.
Em 24 de abril, cinco crianças que brincavam com explosivos coloridos foram dadas como mortas e duas se feriram nas proximidades de Doganovic, no sul de Kosovo, informou o grupo.





