Grupos de apoio orientam prostitutas
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Márcia Sousa Barbosa, conhecida como Ingrid em sua profissão, tem 30 anos e há oito se prostitui. Ela afirma não ter vergonha de seu trabalho e de estar satisfeita, pois recebe um bom salário para se sustentar, pelo menos R$ 800 por mês. Quando trabalhou na roça, de garçonete e de doméstica não recebia nem metade disso. Assim como Márcia, a grande maioria das profissionais do sexo é atraída pelo rendimento da profissão. Contudo, muitas delas, sem orientação, acabam enfrentando problemas como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez indesejada, violência e discriminação.
Buscando orientar essas profissionais, o Grupo Dignidade e o Grupo Liberdade, que lutam pelos direitos dos homosexuais e das prostitutas, fizeram ontem em Curitiba o I Seminário Paranaense sobre Prostituição, HIV/Aids e Direitos Humanos. Foram cerca de 70 participantes entre profissionais do sexo e da saúde. O evento contou com o apoio do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e das secretarias estadual e municipal da Saúde.
Segundo a presidente do grupo Liberdade, Carmen Costa, o índice de doenças transmitidas pelo sexo entre as prostitutas está no mesmo patamar das mulheres em geral. Porém, a questão da discriminação e da violência ainda estão muito presentes.
A legalização da profissão de prostituta foi amplamente debatida no seminário, que durou dois dias. Segundo Carmen, casas de prostituição são ilegais e por isso as profissionais são contratadas para fazer programas, mas são registradas como outro tipo de profissional (como doméstica, por exemplo). ''Se houvesse a legalização, essas mulheres poderiam ser contratadas como autonômas e poderiam contribuir para o INSS'', defende. Quanto à discriminação, Carmen diz que as prostitutas são muito discriminadas por autoridades policiais e até mesmo por profissionais da saúde. Já a violência, que atinge principalmente as mulheres que trabalham nas ruas, também foi discutida, assim como orientações para enfrentar o problema.


