Brasília, DF- Em reunião do Fórum Nacional para Reforma Agrária e Justiça no Campo, que durou cerca de três horas em Brasília, movimentos sociais voltaram ontem a cobrar do governo agilidade no assentamento de acampados. A meta é assentar no país 115 mil famílias até dezembro, mas nem todo o recurso está disponível.
O representante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) João Paulo Rodrigues, um dos coordenadores nacionais, chegou a defender mudanças no Ministério do Desenvolvimento Agrário caso o governo não cumpra a meta de assentar 47 mil famílias no primeiro semestre deste ano. ''O ritmo do governo está lento, deixando a desejar. Se até o primeiro semestre não cumprir a meta, está na hora de fazer mudanças, inclusive no técnico do time'', disse Rodrigues em entrevista, se referindo, indiretamente, ao ministro Miguel Rossetto.
No encontro, Rossetto reiterou a meta e voltou a afirmar que ''os recursos estão assegurados''.
O ministério tem R$ 346 milhões para gastar até o próximo mês, quando, segundo o ministro, o governo também encaminhará ao Congresso pedido de suplementação de R$ 1,6 bilhão para a reforma agrária.
Para a secretária de reforma agrária da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Maria da Graça Amorim, o governo pode ''se complicar'' caso não acelere o assentamento de acampados.
''A reunião serviu para colocar pontos importantes e até as dificuldades que o governo enfrenta. Mas paciência tem limite'', afirmou Amorim, lembrando que a entidade está organizando uma série de eventos para o Grito da Terra, previsto para maio.
Segundo a secretária, só a Contag contabiliza cerca de 100 mil famílias acampadas. Já o MST diz que são mais 200 mil famílias.

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