Curitiba- A delegação brasileira apresentou, na noite de terça-feira, uma proposta para regulamentar a identificação dos organismos vivos modificados (OVMs) nos movimentos transfronteiriços ao grupo de representantes de 50 países que avalia o assunto na 3 Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3). Os negociadores brasileiros tomaram por base a posição do governo federal de adotar regras claras. O texto estava sendo analisado, ontem, e a expectativa é de que as negociações sejam concluídas hoje para que vá para votação em plenária, amanhã, último dia do encontro.
O subchefe da delegação brasileira na MOP-3 e chefe do departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse que a proposta foi recebida com bons olhos pelas delegações dos países membros, mas não arriscou uma avaliação se haverá consenso antes do texto ser levado à apreciação do conjunto de países.
''Temos uma proposta equilibrada, coerente e que atende aos interesses de exportadores e importadores. Nós temos múltiplos interesses'', afirmou, considerando o potencial de exportação e importação brasileiro e a megadiversidade do País.
Machado reconhece que o trabalho de convencimento não será fácil, até porque seis países estão defendendo, por enquanto, o termo ''pode conter OVMs''. No entanto, ele acredita que a proposta brasileira influencie ''positivamente'' os demais países. Não havendo consenso entre as partes, a discussão é adiada para a próxima reunião, em 2007.
Uma das maiores preocupações dos negociadores do Brasil, destacou Machado, é que o País não seja penalizado por ter optado em participar de um regime internacional de biossegurança. Ele se refere ao não cumprimento das regras por países não signatários do protocolo e que são, também, potenciais exportadores. Machado não citou nomes, mas Canadá e Argentina estão entre os maiores produtores de grãos transgênicos. ''É importante atrair para o protocolo todos os países'', avaliou.
Ao todo, 132 países ratificaram o Protocolo de Cartagena e estão representados na MOP-3. São cerca de 1,6 mil participantes.

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