Grupo vendia celulares clonados para o PCC
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quinta-feira, 15 de julho de 2004
Marcelo Godoy<br>Agência Estado 
São Paulo, SP- A polícia descobriu um esquema de criação de centrais telefônicas, venda de celulares clonados e de linhas virgens (ainda não habilitadas) para traficantes, ladrões de carga e bandidos do Primeiro Comando da Capital (PCC) que tinha a participação de funcionários da empresa de telefonia Vivo. O grupo, cuja prisão foi anunciada ontem, vendeu 2 mil celulares nos últimos 60 dias para o crime organizado ao preço de até R$ 90,00 por aparelho com linha habilitada. Esses telefones eram revendidos por até R$ 500,00 dentro das prisões.
Para clonar e habilitar os telefones, a quadrilha recebia disquetes com os códigos de registro de frequência dos aparelhos - o ''RG'' do celular, já que cada um deles funciona numa frequência específica. Também tinha um programa de computador da Vivo para incluir esses códigos em celulares. Comprava celulares roubados em São Paulo e utilizava esses aparelhos para habilitar as linhas clonadas. ''Eles iam ainda mais além: eram capazes de habilitar número virgens, que jamais haviam pertencido a alguém'', afirmou o delegado Ivaney Cayres de Souza, diretor do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), responsável pela investigação. Ele acredita que só funcionários da empresa de telefonia poderiam fornecer esses números e seus códigos.
O esquema é muito mais sofisticado que o empregado normalmente pelos fornecedores de telefones para bandidos, os chamados ''bodinhos'', que recorrem a um método trabalhoso. Usam scanners para capturar o registro da frequência de cada telefone próximo de aeroportos, onde celulares digitais são obrigados a funcionar em modo analógico. Com o código, os bandidos registram o número desse aparelho em outro, criando um clone.
O grupo investigado pelo Denarc agia havia três anos no Estado. Ele foi descoberto durante uma investigação sobre tráfico de drogas na região de Itu, no interior. Os policiais descobririam que um traficante estava encomendando telefones clonados com uma pessoa que os comprava na zona sul de São Paulo. ''Durante os telefonemas que nós monitoramos, havia de ladrões vendendo cargas de eletrodomésticos a 'generais' do PCC encomendando os aparelhos'', afirmou o diretor do Denarc.
Numa operação paralela, foi detido no Parque Candelária, em Itu, Florisvaldo Alves da Silva, de 33, dono de uma revenda de carros. Com ele foram apreendidos computadores e programas de informática de uso da Vivo. Os policiais encontraram ainda com os acusados listagens com milhares de celulares vendidos ou à disposição para serem clonados.
Técnicos da divisão de combate a fraudes da Vivo foram ao Denarc analisar o material apreendido. Segundo eles, o prejuízo mensal da empresa com a ação dos bandidos é de R$ 15 milhões. A Vivo informou que está colaborando com a polícia, mas não vai se manifestar sobre o caso para não atrapalhar a investigação.
Cada disquete com até 200 códigos de telefones da Vivo seria vendido ao bando por R$ 200,00. Os acusados foram presos e responderão pelos crimes de formação de quadrilha, furto e estelionato. A polícia apura ainda a possibilidade de o grupo ter clonado celulares de outras operadoras no Estado, também graças ao acesso aos códigos de registro das linhas.


