Grupo usava software para fraudar registro das bombas
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A expectativa do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, é que, com os desdobramentos das investigações, a polícia chegue a outros envolvidos no esquema de sonegação fiscal e adulteração. Ele estima que, mesmo depois das três operações, realizadas nos meses de março, maio e agora, nem metade das irregularidades no setor veio à tona. ''Isso não é tudo. Há gente grande envolvida'', afirmou.
Fregonese não descarta, inclusive, um eventual envolvimento de usinas e destilarias de álcool no esquema, pois, segundo ele, uma das formas de driblar a tributação seria a partir do ''desvio'' de álcool anidro (que é adicionado à gasolina) para ser vendido nas bombas como álcool hidratado, depois de sofrer adulteração. Fregonese explicou que esse tipo de álcool é isento de imposto e as distribuidoras podem comprá-lo em qualquer quantidade. A presença de resíduos de cloro no álcool e a venda do produto abaixo do preço de custo na distribuidora seriam provas da adulteração e sonegação.
De acordo com o Fregonese, o Sindicombustíveis vem dando apoio às ações do Ministério Público (MP) estadual e da polícia, denunciando indícios de formação de cartel, sonegação ou adulteração. Ele lembrou que uma das primeiras ações contra a sonegação, há cerca de dois anos, deu-se em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda, com a implantação de lacres nas bombas para evitar a subtributação. Na operação deflagrada, ontem, descobriu-se que o grupo utilizava um software, que instalado na bomba, pode fraudar a quantidade de litros vendida.
As investigações sobre a venda ilegal de combustíveis, no Paraná, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, já descobriu lucros indevidos e desvios de mais de R$ 65 milhões e levou para cadeia, pelo menos, 19 pessoas.


