Grupo Ultra continua como único proponente à compra da Copene
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de março de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 27 (AE) - A Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) ainda não apresentou proposta de compra do controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por enquanto, segundo fontes do sistema financeiro ligadas à reestruturação do setor petroquímico brasileiro, a única proposta firme para a compra da Copene é mesmo a do Grupo Ultra em sociedade com o BNDESPar (BNDES Participações). O controle (55,6%) da Copene está à venda pelo consórcio entre Odebrecht Química, Grupo Mariani e Conepar (este, um dos ativos do Banco Econômico, sob intervenção do Banco Central).
A Sociedade de Propósito Específico (SPE), por meio da qual o BNDESPar participa como sócio capitalista financiando um terço do valor da compra do controle, é uma modelagem válida exclusivamente para o parceiro Ultra. Isso porque, segundo o governo federal, é o único grupo que se apresentou ao BNDES com planejamento para investir em vários ativos do pólo petroquímico de Camaçari (BA), onde a central de matérias-primas é a Copene. E não somente na própria Copene.
Seus ativos passam a valer um pouco mais, a partir da autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que as centrais produzam gasolina, imediatamente. A médio prazo, as centrais (Copene, PqU e Copesul) poderão fabricar gás liquefeito de petróleo (GLP) e diesel, informou ontem a ANP. Só a produção da gasolina, que antes era devolvida às refinarias da Petrobras na forma de efluentes ricos em nafta, vai aumentar em 2% o lucro líquido da Copene.
Ipiranga e Repsol - De acordo com o mercado, a Ipiranga Petroquímica poderá unir-se a espanhola Repsol, para aquisição do controle da Copene. Procuradas, Ipiranga e Repsol não se manifestam sobre o assunto. Caso tenham interesse em adquirir o controle da Copene, as duas só terão que avisar ao BNDES, caso necessitem de apoio finaceiro do Banco para a aquisição do ativo.
A Ipiranga Petroquímica é sócia da Odebrecht e da Petrobras Química (Petroquisa) na Copesul, a central de matérias-primas do pólo petroquímico de Triunfo (RS). Juntas, as três empresas não teriam aporte de capital próprio para a aquisição, como foi provado há cerca de um mês, quando o superintendente da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima esteve em São Paulo, em busca de financiamento junto a bancos nacionais e estrangeiros, para viabilizar a operação.
Já a Odebrecht, mesmo endividada a longo prazo com o BNDES, poderá recorrer ao Banco caso necessite de novos empréstimos, garantiu uma fonte do sistema financeiro ligada à petroquímica. O BNDES poderá aportar capital à Odebrecht, também
para que a empresa baiana empreenda, junto com a Petrobras, o complexo petroquímico de Paulínia (SP), disse a mesma fonte. A sociedade entre a estatal e a Odebrecht foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no dia primeiro deste mês, mas faltam ainda as licenças ambientais para dar andamento às construções.


