São Paulo, 15 (AE) - O Grupo Ultra, através da Ultra Participações (Ultrapar), está abrindo o seu capital, devendo captar entre o mercado brasileiro e o americano US$ 250 milhões. O grupo tem planos de investimentos para os próximos três anos que chegam até a US$ 650 milhões, segundo o presidente Paulo Cunha. Ele diz que "o momento é importante para a história da empresa, que se profissionalizou e agora busca a sua perenização".
Cunha apresentou um road show para investidores nos últimos dias e continuará pelos próximos 20 dias, envolvido diretamente nisto, viajando pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. No dia 6 de outubro a operação deverá estar finalizada. No momento, o Grupo Ultra aguarda aprovações da Security Exchange Comission (SEC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para poder operar nas bolsas de Nova York, Bovespa e Bolsa do Rio de Janeiro.
O preço unitário da ação preferencial a ser lançada, de um total de 15 bilhões, deverá estar entre US$ 16 a 18. Se a operação for um sucesso, com a venda total o Grupo terá que colocar mais 15% de ações do total negociado no mercado. Essa operação de lançamento é liderada pelos bancos BBA, Itaú, Bradesco, Unibanco e Morgan Stanley.
Hoje o Grupo Ultra é controlado por uma holding que tem 51% do seu capital em poder de seus principais executivos. O percentual restante está em poder da Família Igel, que fundou o Grupo. "Houve uma profissionalização efetiva no Grupo e um de seus fundadores, Pery Igel, antes de morrer, no ano passado, já havia me incubido de encontrar maneiras para perenizar o Grupo"
disse Cunha.
Na primeira fase de investimentos, explicou o diretor superintendente do Grupo, Fábio Schvartsman, o grupo já tem recursos da ordem de US$ 300 milhões. Pretende aplicar pelo menos a metade deste total na área da Ultragas, líder de mercado de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP) em São Paulo
o maior mercado do País. Com liberação do mercado, a Ultragas quer ampliar sua participação.
Outro plano do Grupo Ultra, na área petroquímica, é a construção de uma fábrica de ácido acrílico, ligada diretamente à Oxiteno, e de uma outra fábrica de polímero absorvente, material usado em fraldas infantis ou absorventes femininos. Nesta última fábrica, o Grupo negocia uma parceria externa. As negociações já estão em andamento, mas Paulo Cunha não quis revelar nomes.
Em momento algum da entrevista Paulo Cunha ou outro diretor do Grupo Ultra falou em adquirir empresas ou de ampliar sua participação no Pólo de Camaçari, o que os analistas de mercado entendem perfeitamente razoável. "O momento não é para falar sobre este assunto, que não tem nada de concreto. O momento é para explicar o nosso lançamento de ações", concluiu Cunha.

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