Grupo Tortura Nunca Mais quer afastamento de coronel de secretaria do RJ
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 22 (AE) - O Grupo Tortura Nunca Mais vai enviar esta semana um dossiê ao governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT) ,sobre o coronel José Halfed Filho, recém-nomeado subsecretário adjunto do Interior. Ele é acusado de torturar presos políticos nos anos 70.
É a terceira vez que representantes do Tortura Nunca Mais tentam afastá-lo de funções políticas. Durante os dois mandatos do governador Leonel Brizola, de 83 a 87 e 91 a 95, Halfed foi acusado pelo mesmo crime e, apesar disso, permaneceu no cargo de secretário da Defesa Civil. O grupo não conseguiu provar seu envolvimento na tortura de presos políticos.
"Na época o ex-governador Leonel Brizola não deu a mínima importância", acusou uma das integrantes e secretaria do grupo, Maria Dolores Perez Gonzaga, de 45 anos. "Ele não pode ocupar cargos políticos, pois isso representa uma violência contra a sociedade", disse Maria Dolores.
Na década de 70, o coronel era diretor do presídio femino São Judas Tadeu, no centro, onde ficavam as presas políticas. Além disso, no terceiro andar do prédio, funcionava o Departamento de Ordem Política (DOPs) - local usado pela polícia para obrigar os presos políticos a revelar os planos contra o governo - que seria também usado, segundo Maria Dolores, para praticar violência contra mulheres.
Assessores do governador informaram que Garotinho espera a entrega do dossiê para avaliar o caso . Ele teria dito que seriam necessárias provas para afastar o subsecretário da função. Halfed não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto.
A presidente do grupo, Elizabeth Coimbra, reúne-se à noite com integrantes do Tortura Nunca Mais para marcar a data da entrega do dossiê.


