Grupo tenta resgatar menores de unidade da Febem em SP
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 01 (AE) - Sete rapazes com revólveres e uma espingarda calibre 12 tentaram no fim da noite de ontem (30) resgatar dois cúmplices internados na Unidade de Atendimento Inicial da Febem, na Rua Domingos Paiva, no bairro do Brás, em São Paulo. Soldados da Polícia Militar que reforçavam a segurança na portaria evitaram a invasão e trocaram tiros com os rapazes que estavam em dois carros. Cinco fugiram. Dois foram presos. Um deles, E.D.R., de 16 anos, com um tiro na coxa, levantou os braços e pediu que os policiais não o matassem.
O outro, N.N.S., também com 16, tentou fugir no carro Logus que havia roubado. Bateu em um poste de iluminação e ao ver os policiais militares aproximando-se colocou as mãos sobre a cabeça e pediu para não atirarem. Os menores foram encaminhados para o 8.º Distrito. E.D.R. foi medicado no Pronto-Socorro do Tatuapé.
Os sete rapazes estavam num Monza preto, sem placas, e no Logus, roubado no início da noite de ontem, no bairro de Vila Mariana. Eles passaram várias vezes em frente o prédio da Unidade de Atendimento Inicial da Febem, o que chamou a atenção dos vigilantes e dos militares. Como no prédio estão garotos transferidos no mês passado da Unidade Imigrantes, a Secretaria do Bem-Estar do Menor solicitou ao Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) reforço no policiamento, temendo possível tentativa de resgate.
Tiros - Assim que os carros passaram pela quarta vez na rua, em frente da unidade, os militares se posicionaram com suas armas. Os vigilantes trabalham desarmados. Os sete rapazes tentaram invadir a unidade e acabaram trocando tiros com os policiais. Cinco fugiram no Monza preto. E.D.R. e N.N.S. correram para o Logus. O primeiro foi baleado e não conseguiu correr. O segundo saiu com o Logus, mas bateu no poste.
Nomes - No banco dianteiro, os policiais encontraram a espingarda de calibre 12 com sete cartuchos intactos. No distrito, os menores contaram aos policiais militares que já passaram pelas Unidades da Febem Imigrantes e Tatuapé. O objetivo era o resgate de dois cúmplices em assaltos e mandados pela polícia para aquela unidade no início de novembro. "A gente é amigo e cuida dos irmãozinhos que estão na pior", disse E.D.R..
Os dois negaram-se a dar os nomes dos internos que pretendiam libertar. "Nós não somos dedo-duro e sabemos muito bem que aquele que fala o que não deve tem vida curta na cadeia", afirmou E.D.R. Os menores que cumpriam punições no prédio da Febem Imigrantes, destruído durante rebelião, estão recolhidos no Cadeião de Pinheiros, no Complexo do Tatuapé e em outras unidades. O medo de resgate entre os funcionários é grande.


