Grupo tenta libertar líder sem-terra
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de julho de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
Um grupo de aproximadamente 30 sem-terra tentou anteontem invadir a delegacia de Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí), para forçar a liberação do assentado Pedro Alves Cabral, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, preso no final da tarde pela Polícia Militar. Junto com outros coordenadores do movimento, Cabral estava com a prisão preventiva decretada desde o início do ano passado, acusado de sequestrar o assentado Celso Antônio Bakes, em dezembro de 1999.
Segundo policiais que trabalham na cidade, Cabral estava em companhia de outro líder do MST, Arlei José Escher, quando foi preso. Imediatamente os sem-terra se mobilizaram e foram até a delegacia e o posto da PM, que funciona em frente, ameaçando invadir o local para forçar a liberação de Cabral. Quando os sem-terra chegaram ao local o líder já estava sendo transferido para a cadeia de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí), onde continuava preso até ontem de tarde.
Apesar de estar em maior número, os sem-terra não chegaram a entrar no prédio da delegacia ou da PM, que pediu reforços para unidades da região. Ontem policiais do Grupo de Operações Especiais do 8º Batalhão, de Paranavaí, continuavam na cidade. A prisão preventiva de Cabral e outros três coordenadores do MST na região foi pedida depois de Bakes denunciar o grupo por sequestro.
Morador do assentamento Luis Carlos Prestes, em Querência do Norte, Bakes defendia a suspensão do repasse de 3% de recursos de financiamento para o MST. Negociando diretamente com os bancos, os assentadores estavam evitando o repasse ao movimento, o que segundo ele ocasionou o sequestro no dia 13 de dezembro de 1999.
Bakes foi localizado dois dias depois em Capanema, região Oeste, onde denunciou Cabral e outras lideranças. A polícia alega que os líderes com prisão decretada estão escondidos em acampamentos do MST no interior do Mato Grosso do Sul. Quando aparecem na cidade, em protestos ou solenidades do movimento, atraem muitos sem-terra, o que impede qualquer ação da polícia.


