Marcos Zanatta
De Maringá
A retomada das obras do Hotel Gran Duke, no centro de Maringá, vendido para o Grupo Ello, de Curitiba, está animando os defensores da conclusão da Mercantil Internacional de Café. As duas obras são da iniciativa privada e estão há mais de 10 anos paradas. ‘‘Conseguimos retomar todas as obras públicas paralisadas e agora precisamos incentivar a iniciativa privada a fazer o mesmo’’, disse o prefeito Jairo Gianoto (PSDB). A prefeitura teve papel importante na negociação para a venda do prédio do hotel. ‘‘Precisamos agora colocar em funcionamento a indústria da Mercantil Internacional’’, afirma o prefeito.
A Mercantil Internacional, no entanto, enfrenta não apenas problemas financeiros, mas também jurídicos. No início de 98 um grupo de ex-funcionários da empresa se reuniu em Maringá para cobrar a conclusão da obra, que está 70% pronta. Uma das propostas dos trabalhadores, que desde 1992 brigam na Justiça para receber os direitos, é que Estado e município lutem pela retomada do empreendimento. A previsão é que a indústria gere 800 empregos diretos e mais de 2 mil indiretos.
Os problemas com a empresa começaram em 1992, quando os cerca de 300 funcionários entraram em férias coletiva. Depois do prazo determinado pela administração, nenhuma atividade foi retomada, e os funcionários começaram a ser dispensados sem receber os direitos trabalhistas. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Maringá, Epifânio Magalhães, lembra que os trabalhadores venceram na Justiça, mas não conseguem receber por causa de outros processos.
Os bens da Mercantil Internacional em Maringá, avaliados em cerca de R$ 8 milhões, foram levados a leilão por diversas vezes mas sem interessados em arrematar. A própria empresa entrou então com mandado de segurança, alegando que os bens penhorados pela Justiça Trabalhista de Maringá, já estavam de garantia com a Justiça Federal. ‘‘Agora os funcionários aguardam uma definição para tentar receber. Mas a meta imediata é brigar pela reabertura da empresa’’, explica Magalhães.
A Mercantil Internacional de Café deveria ser a maior torrefadora de café solúvel da América Latina, com capacidade para processar 100 toneladas ao mês. O principal proprietário da empresa, Sérgio de Paula Pacheco, do Rio de Janeiro, acusado de desvio e lavagem de dinheiro de outras empresas que possui, acabou abandonando o projeto em Maringá.
Um grupo de ex-funcionários está mobilizado para defender a retomada do projeto e, apesar dos vários encontros com lideranças políticas, inclusive com o governador Jaime Lerner, não existe nenhuma previsão de que possa acontecer logo.

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