Rio, 11 (AE) - O fuzileiro naval Roger Faria Lima foi ferido na perna em tiroteio com um grupo que tentou invadir nesta madrugada o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), na Ilha do Governador, na zona norte do Rio. A Marinha acredita que o bando quisesse roubar as armas dos soldados de plantão. De acordo com a polícia, a ação teria sido promovida por traficantes de dois dos morros da região. Lima é o segundo fuzileiro atacado em serviço por bandidos em 20 dias.
O soldado foi levado para o Hospital Naval Marcílio Dias
na Ilha, onde se submeteu a uma cirurgia para extração da bala. Até o fim da tarde, Lima permanecia internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital, não corria risco de vida e seu estado era considerado estável.
O subcomandante do batalhão, tenente-coronel Sérgio Pinto, disse que recebeu denúncias de que traficantes da favela Boogie-Woogie ou do Dendê seriam os responsáveis pelo ataque, por volta das 3h30. Durante a madrugada, policiais do 17º Batalhão de Polícia Militar (Ilha do Governador) fizeram buscas nas proximidades do instituto mas não encontraram nenhum suspeito.
O grupo tentou entrar no IPqM - onde são desenvolvidos projetos para construção de navios - pela entrada principal e renderam o soldado, mas não levaram sua arma. Em nota enviada à imprensa, a Marinha informou que foi aberto Inquérito Policial Militar para apurar o fato, que deve ser concluído em um mês.
Armas - O grupo que chefia o comércio de drogas no Boogie-Woogie estaria precisando de armas por ter sido invadido recentemente por uma quadrilha rival, da Favela Nova Holanda, em Bonsucesso, também na zona norte. O Dendê seria comandado por Marcelo Soares Medeiros, o Marcelo PQD, preso em janeiro no Rio Grande do Sul. Informações do Serviço Reservado (P2) são de que, mesmo na cadeia, PQD estaria dando ordens aos seus comparsas no morro para não correr o risco de ser substituído por outro traficante.
Na madrugada do dia 24 de março, outro fuzileiro naval, William Silva de Araújo, foi rendido em serviço por dois homens armados, e levado para a Avenida Brasil, a quilômetros do local. Araújo estava de plantão em frente ao prédio do 1º Distrito Naval da Marinha, na Praça Mauá (centro). Depois de pegar o fuzil que estava com Araújo, os bandidos o liberaram.

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