Valmir Denardin
Enviado a São Miguel do Iguaçu
Um grupo de aproximadamente 350 moradores do Extremo-Oeste do Estado tentou ontem invadir a Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), e expulsar as 90 famílias de sem-terra que ocupam a propriedade há dois anos. Um princípio de confronto foi controlado pela Polícia Militar. Não houve o registro de feridos.
O objetivo dos manifestantes é retirar os sem-terra para instalar na área, de 1.098 hectares, a Universidade do Agricultor - projeto acadêmico-social multidisciplinar que pretende transformar a fazenda em local de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia agrícola. Entre 1981 e 1997, enquanto pertenceu ao Grupo Bamerindus, a Mitacoré foi considerada uma fazenda-modelo. Em março de 97, ela foi encampada pela União, depois de intervenção federal no Bamerindus.
O grupo de manifestantes reúne políticos, lideranças empresariais, de categorias profissionais e comunitárias e moradores dos municípios de São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, Medianeira, Missal, Itaipulândia, Céu Azul, Santa Helena e Foz do Iguaçu. A maioria dos prefeitos desses municípios apóia o movimento.
A tentativa de ocupação da fazenda ocorreu às 6h40. Armados com foices e enxadas, os sem-terra reagiram, impedindo que o grupo passasse do portão da sede. A Polícia Militar informou ter apreendido com os sem-terra cerca de dez garrafas cheias de combustível e com pavios, que supostamente seriam usadas como arma.
‘‘Não somos contra a Universidade do Agricultor, mas não aqui, no que é nosso’’, disse à Folha Cilo Coradini, um dos coordenadores do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no acampamento. Segundo Coradini, o Incra ‘‘descarta’’ a instalação da instituição de ensino na área.
O projeto da Universidade do Agricultor ainda é uma idéia embrionária. A principal exigência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para participar do projeto é de que a área esteja livre dos sem-terra.
Segundo Jair Klotz, diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas do câmpus de Foz do Iguaçu da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) e coordenador do projeto, na próxima sexta-feira o movimento se reunirá, em São Miguel do Iguaçu, com representantes regionais da Embrapa e do Incra para buscar uma solução para a fazenda.

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