Curitiba, 04 (AE) - Um grupo com aproximadamente 350 pessoas tentou entrar na sede da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, a 600 quilômetros de Curitiba, mas foi barrado na porteira da propriedade pelos sem-terra, que ocupam o lugar desde 1997. No grupo estavam pequenos agricultores, políticos e professores universitários. A BR-277 foi interditada totalmente por cerca de meia hora. Houve tumulto e o confronto violento foi evitado pela presença da Polícia Militar.
Segundo o vereador de São Miguel do Iguaçu, Airton Cardoso Carvalho (PDT), a manifestação tinha dois objetivos. O primeiro era "restabelecer a segurança dos ex-funcionários que ainda moram lá". Eles estariam recebendo ameaças. O segundo, liberar parte da fazenda para o funcionamento da Universidade do Agricultor, projeto que vem sendo preparado por várias entidades
tendo à frente a Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), desde a época da ocupação."Toda a região, inclusive os sem-terra, serão beneficiados com a instalação da universidade"
disse Carvalho. "Mas eles querem que a região entre no projeto deles".
O parlamentra disse que o grupo continuará concentrado na comunidade Nova Roma, vizinha à fazenda. A Polícia Militar manteve policiamento durante todo o dia no local. O projeto da Universidade do Agricultor prevê um centro de pesquisas e de estudos sobre novas tecnologias agrícolas. Ex-propriedade do Banco Bamerindus, a Fazenda Mitacoré, de 1.098 hectares, era considerada modelo de agricultura e hoje está sob intervenção do Banco Central. A sede da fazenda foi ocupada há cerca de um mês, mas 12 famílias de ex-funcionários ainda continuam morando nas casas. A Justiça já expedu a ordem de reintegração de posse. Armas - Os manifestantes foram recebidos pelos sem-terra, que estavam armados com pedaços de paus e foices. "São oportunistas", afirmou um dos coordenadores do acampamento, Márcio da Silva. Ele disse que as famílias de ex-funcionários não estão sofrendo nenhuma molestação e estão sendo convidadas a engrossar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Silva afirmou que o MST pretende reservar uma parte da área, depois que o assentamento for legalizado, para que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) instale um centro de pesquisa. Mas a chefe administrativa do Centro Nacional de Pesquisa de Soja, da Embrapa, em Londrina, Vânia Castiglioni, disse que a empresa não assumirá o trabalho se o BC não passar a área para domínio da União. Por enquanto, a Embrapa tem participado das reuniões com os idealizadores da Universidade do Agricultor. Invasão - Ontem de madrugada, grupos de sem-terra invadiram duas fazendas no norte do Paraná. Em Congonhinhas, a Fazenda Santa Terezinha foi ocupada por cerca de 30 pessoas, mas aguardava-se a chegada de mais 50 famílias. No município de Conselheiro Mairinck, 60 pessoas invadiram a Fazenda Santa Terezinha. Segundo informações da polícia, as duas estão penhoradas no Banco do Brasil, o que motivou as invasões. As ocupações foram pacíficas e hoje os sem-terra permaneciam no local.
O sociólogo Antônio Carlos da Costa Coelho assumiu hoje o cargo de assessor de Assuntos Fundiários do Paraná, tendo como primeira missão ampliar o diálogo com o MST, que se inicia no dia 12 com a vinda ao Paraná do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Coelho ocupa o lugar de José Carlos de Araújo Vieira, que foi nomeado superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

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