Grupo se une aos sem-terra de Anhembi
Agência Estado
De Anhembi
A chegada de novos contingentes de sem-terra no acampamento aumentou a tensão em Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo. A cidade, de 3,5 mil habitantes, está ocupada desde o último dia 22 por 1,2 mil famílias ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST). Mais famílias estão sendo transportadas para o local em carros e peruas. Anteontem à noite, dezenas de militantes chegaram em um ônibus, preocupando o prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB). Ele avisou o comando regional da Polícia Militar. O 12º Batalhão da PM de Botucatu foi colocado de prontidão e o policiamento na cidade foi reforçado. Estamos com cinco viaturas extras e um número maior de pessoal, disse o comandante, major João Francisco Antunes.
Mas a situação, no acampamento, era de calma. Segundo Antunes, ontem foram registradas apenas duas ocorrências envolvendo os acampados. Dois sem-terra que circulavam pela cidade com facas e facões tiveram essas armas apreendidas. Técnicos do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) iniciaram a vistoria de um terreno de 20 hectares que poderá abrigar temporariamente o acampamento. A área pertence à Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A vistoria seria concluída na tarde de ontem. O prefeito estava na expectativa de uma possível transferência dos sem-terra durante o fim de semana. Mas o coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, disse que a mudança dependeria da aprovação da área pelos acampados. Ninguém falou com a gente até agora, dizia.
Ele negou que o número de acampados esteja aumentando com a chegada de mais famílias. Segundo Rodrigues, algumas pessoas vieram para o lugar de outras que saíram. Há um movimento normal de acampados que vão visitar parentes e depois retornam. Mas a quantidade de barracos aumentou nos últimos dias. Novas áreas próximas do estádio municipal foram ocupadas. O prefeito teme que haja alguma reação ao pedido de reintegração das áreas invadidas, que pretende protocolar no Fórum de Conchas nos próximos dias. O líder do MST deixou claro que, se houver ordem para desocupar a cidade, os sem-terra vão resistir. Ele disse que a opção, caso sejam obrigados a sair, será acampar no Palácio dos Bandeirantes, na Capital.





