Grupo se diz menos baderneiro que o MST
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quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Vila Alta - Nem Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nem Movimento dos Agricultores Sem Terra (MAST). As mais de 200 famílias retiradas ontem da área invadida em Vila Alta e que ainda ocupam outra em Xambrê fazem parte de uma espécie de movimento independente, que não quer vínculo com os grupos já conhecidos.
''Somos mais pacíficos. Não gostamos de tumulto'', disse Davi Ferreira Neto, um pernambucano de 44 anos que chegou ainda jovem a Altônia e agora se intitula vice-líder dos acampados. Ele conta que já trabalhou como auxiliar de enfermagem e como vendedor de planos de saúde e de colchões, mas resolveu voltar às origens do campo.
O movimento não tem nome. Nem bandeira. Placas, mesmo em Vila Alta, indicam se tratar apenas do Grupo Xambrê. Nos barracos, o que se vê são bandeiras da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag). ''Só queremos terra'', garante Davi. Ele jura que pára com o movimento no mesmo dia em que todos forem assentados.
As placas espalhadas pelas barracas também falam do apoio da Contag e da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), mas Davi nega que venha alguma ajuda financeira dessas entidades. ''Recebemos só apoio moral'', ressalta. Segundo ele, o grupo sobrevive trabalhando como bóia-fria na região.
O grupo começou a ser formado há um ano. Cerca de 60 famílias são de antigos ilhéus de Ilha Grande, expulsos da área com a criação do parque nacional e que reclamam falta de indenização. O restante é bóia-fria ou ex-pequenos produtores rurais. ''Somos um povo pacífico, que se organizou devido ao descaso das autoridades'', explica Davi.
De acordo com ele, as famílias não se enquadrariam no MST, considerado como ''radical e baderneiro''. ''Nós não quebramos nada nas fazendas e se um membro quiser ir embora, pode ir'', disse. Davi afirma também que o grupo tem o apoio de lideranças da região, o que seria impossível se houvesse algum vínculo com o MST.
Uma pequena parte dos sem-terra de Xambrê e Vila Alta vem de um outro movimento independente conhecido como Ribeirinho, de Icaraíma. Esse movimento teria perdido alguns líderes e se enfraquecido após sete anos de acampamento.
Davi diz que o movimento só invadiu uma área experimental do Iapar, em Xambrê, para chamar a atenção. ''Saímos pacificamente'', lembra. Apesar da fala pacifista, até quarta-feira, quando ninguém esperava uma reintegração de posse tão cedo, o discurso era de resistência. ''Se a Polícia Militar nos tirar daqui num dia, voltamos no outro.''


