Grupo resgata 105 presos em delegacia de SP
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 06 (AE) - Armados de fuzis, metralhadoras e pistolas automáticas, oito pessoas - entre elas um menor de 12 anos - resgataram 105 dos 108 presos do 24.º Distrito Policial, em Ermelino Matarazzo, zona leste de São Paulo. Dois detentos e um carcereiro ficaram feridos. Nos últimos quatro resgates ocorridos na Grande São Paulo, entre 12 de outubro e hoje, 293 presos foram soltos por quadrilhas.
O bando armado invadiu o 24.º DP por volta da 0h30 de domingo. Rendeu a equipe de plantão, formada pelo delegado Luiz Fernando Pessoa da Costa Martins, dois investigadores, o carcereiro Maurício e a escrivã Mitsuy - os dois últimos pediram para que seus sobrenomes não fossem revelados. Na hora da invasão, cinco pessoas registravam boletins de ocorrência.
"Eles me obrigaram a deitar no chão e me desarmaram", contou o delegado. "Tudo não passou de três minutos", disse Maurício, que foi obrigado a abrir as celas e levou várias coronhadas na cabeça e nas costas. O motivo do espancamento foi a suposta "demora" do carcereiro para achar as chaves. Apenas 3 dos 108 detentos presos ficaram no distrito, por decisão própria. Caso isso não tivesse ocorrido, o DP teria sido completamente esvaziado. Os demais presos fugiram a pé e até de ônibus.
Recaptura - Três dos fugitivos foram detidos pela polícia, quando tentavam roubar um carro para escapar, e levados para o 68.º DP. Até o fim da tarde de hoje, outros 14 fugitivos haviam sido recapturados. Nas imediações da delegacia, policiais encontraram um Voyage, com placas de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, que teria sido usado pela quadrilha que libertou os presos. O carro tinha diversas marcas de bala e manchas de sangue.
Este ano já ocorreram 37 resgates de presos em delegacias, 10 deles na capital e região metropolitana e 27 em cidades do interior de SP. No ano passado, foram registrados 29 casos em todo o Estado. Esse crescimento levou a Secretaria de Segurança Pública a criar, em novembro, um departamento para investigar e prevenir essas ações, o Grupo de Intervenção em Cenário de Resgate de Presos (Girp), da Polícia Civil.
"Estamos trabalhando com afinco", afirmou hoje o delegado Rui Ferraz Pontes, que chefia o Girp. "Prova disso é que já prendemos um dos responsáveis pelo resgate no 40.º DP (ocorrido na semana passada, quando 142 detentos foram soltos)."
Pontes disse que, em virtude das diversas ações de resgate consecutivas, o Girp deve entregar amanhã (07) à Delegacia-Geral um documento com sugestões para evitá-las. "Analisamos três casos e constatamos falhas estruturais nas delegacias", informou o policial, que não quis dar detalhes do teor do documento. "Existe uma preocupação extrema da Delegacia-Geral e temos a incumbência de encontrar soluções."


