Grupo Rede vende energia em leilão, com operação inédita
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 30 (AE) - O grupo Rede realizou hoje experiência pioneira de venda de energia em leilão. Foram vendidos por R$ 1,3 milhão, o equivalente a 36.720 megawatts/hora, energia suficiente para abastecer uma cidade de 60 mil habitantes. Quem arrematou o lote foi o grupo Cataguazes-Leopolina que pagará R$ 268 mil mensais durante cinco meses.
O preço mínimo era de R$ 35,97 e o lance único da Cataguazes foi de R$ 36,00 o megawatt/hora. O grupo garante assim o fornecimento futuro de energia, pagando um valor inferior ao preço atual de mercado (R$ 68,00).
Célia Setsuko Hirata, diretora de gestão corporativa do grupo Rede, disse que o desconto é aceitável, dado que a empresa precisa pagar a energia contratada mesmo que houvesse sobra.
Para Eduardo José Bernini, presidente do Conselho do Mercado Atacadista e do grupo VBC, o leilão demonstra uma nova fórmula de comercialização após a desregulamentação do setor. O pioneirismo coube a duas empresas privadas.
As regras atuais do mercado de energia exigem que as distribuidoras façam uma previsão de consumo e realizem contratos com as fornecedoras. Isso faz com que, mesmo não havendo demanda para toda a energia, a empresa contratante tenha que pagar à geradora (no caso específico, Furnas) todo o lote contratado, explica Célia Hirata. Na posição de compradores estão grandes consumidores e mesmo outras distribuidoras com escassez de energia.
Operação - A venda de energia é uma operação contábil de troca de obrigações em contratos firmados com a geradora. Isso significa que o comprador da energia não precisa estar próximo ao local de geração, pois pode repassar o valor contratado entre as empresas do grupo.
Foi o que aconteceu no leilão de hoje. Antonio Previtali Jr., assessor de Relações com o Mercado da Cia. Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, explicou que a energia comprada poderá ser repassada entre as empresas do grupo. A empresa possui três áreas de concessão, abrangendo 70 municípios da Zona da Mata Mineira, Nova Friburgo (RJ) e a Energipe (adquirida em leilão de privatização em 1997).
A empresa fundada em 1908 é controlada pela família Botelho, foi a terceira a ser registrada na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e tem participação das empresas americanas CMS (do setor de energia elétrica e gás) e do grupo de administração de ativos Fondelec.


