Curitiba- Para iniciar um processo de mudança no tratamento dispensado às pessoas da terceira idade, especialistas reunidos em Curitiba formularam metas que serão repassadas a órgãos oficiais e instituições voltadas ao atendimento dos mais velhos. O grupo defende a ampliação do número de Conselhos Municipais do Direito dos Idosos, formados por representantes de entidades públicas e da sociedade civil organizada, para cobrar políticas públicas em favor da terceira idade nas cidades.
Durante seminário foram debatidas formas de se reduzir os preconceitos e medidas para melhorar a qualidade de vida desta faixa da população. O médico geriatra João Batista Lima Filho, assessor nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, afirma que a maior agressão cometida contra idosos atualmente no Brasil é o preconceito. ''Pesquisas mostram que a sociedade brasileira vê os idosos por sua faixa etária e pela parte biológica, mas não por sua função social'', declara. ''Não se enxerga essas pessoas como patrimônio da sabedoria, mas como peso para os setores produtivos'', acrescenta.
Segundo ele, 13% da população idosa tem um alto grau de dependência para realizar suas atividades normais. Desse total, a maioria (cerca de 2,3 milhões) vive com as famílias. ''O problema é que o Estado não tem preparado as famílias para receber esses idosos'', afirma Lima Filho.
O padre José Aparecido, superintendente do Asilo São Vicente de Paulo, de Curitiba, defende uma melhoria acentuada na qualidade das instituições que abrigam idosos. ''Também por uma questão cultural, no Brasil se tem a visão de que o idoso está sendo abandonado quando vai para um asilo. O que precisamos é de instituições adequadas para receber esses idosos e melhorar a qualidade de vida deles'', diz o padre.

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