Grupo quer evitar demissão na fronteira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Emerson Dias (BR) De Foz do Iguaçu 
Integrantes da Comissão de Trabalhadores Informais da Fronteira se reuniram ontem em Foz do Iguaçu para discutir as determinações do governo paraguaio, como a demissão de funcionários brasileiros no país vizinho. Em Ciudad del Este, várias pessoas procuraram o Departamento de Migração na tentativa de regularizar documentos.
A reunião contou com a participação de comerciantes e trabalhadores brasileiros que atuam no Paraguai, mototaxistas, associações de moradores e representantes do Fórum de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania. Eles convidaram ainda os deputados Sérgio Spada (PSDB) e Chico Noroeste (PFL), na tentativa de repassar as reivindicações às autoridades estaduais. ''As dificuldades, que já eram muitas, aumentaram na fronteira. Estamos discutindo soluções para evitar que o número de desempregados aumente ainda mais'', disse o diretor da Federação Nacional dos Urbanitários e representante da Comissão Política do Mercosul, Luiz Carlos Soares de Lima, referindo-se às quase 60 mil pessoas que trabalham no mercado informal de Foz (23% dos 258 mil habitantes).
Os integrantes da comissão estão preocupados com o acordo fechado entre o governo paraguaio e os manifestantes, durante protestos na semana passada que fecharam a fronteira por quatro dias. Entre as reivindicações, estavam a substituição imediata da mão-de-obra brasileira no país (estima-se que quase cinco mil dos 6,2 mil postos de trabalho de Ciudad del Este são ocupados por moradores de Foz que cruzam a Ponte da Amizade todos os dias). Um dos pontos do acordo prevê a demissão gradual de estrangeiros, a começar pelos que não comprovarem residência.
Com medo de enfrentar problemas no Paraguai, vários brasileiros estiveram no Departamento de Migração encaminhando documentos. O agricultor José Francisco Floss, 43 anos, residente na cidade paraguaia de Santa Tereza (45 km da fronteira), foi um dos que buscaram regularizar a situação no país. ''Sem carteira migratória, fico sem dinheiro e sem trabalho'', comentou. Floss lembrou que teve um empréstimo negado no banco local porque a carteira de migração estava vencida.
Para obter o documento, os interessados precisam apresentar carteira de identidade, certidão de nascimento e de antecedentes criminais, exame de saúde, comprovante de residência fixa e duas fotos atuais. A carteira de migração garante a permanência do estrangeiro por 90 dias, podendo ser renovada até que o governo paraguaio avalie o interesse do estrangeiro em viver no país.


