Integrantes da Comissão de Trabalhadores Informais da Fronteira se reuniram ontem em Foz do Iguaçu para discutir as determinações do governo paraguaio, como a demissão de funcionários brasileiros no país vizinho. Em Ciudad del Este, várias pessoas procuraram o Departamento de Migração na tentativa de regularizar documentos.

A reunião contou com a participação de comerciantes e trabalhadores brasileiros que atuam no Paraguai, mototaxistas, associações de moradores e representantes do Fórum de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania. Eles convidaram ainda os deputados Sérgio Spada (PSDB) e Chico Noroeste (PFL), na tentativa de repassar as reivindicações às autoridades estaduais. ''As dificuldades, que já eram muitas, aumentaram na fronteira. Estamos discutindo soluções para evitar que o número de desempregados aumente ainda mais'', disse o diretor da Federação Nacional dos Urbanitários e representante da Comissão Política do Mercosul, Luiz Carlos Soares de Lima, referindo-se às quase 60 mil pessoas que trabalham no mercado informal de Foz (23% dos 258 mil habitantes).

Os integrantes da comissão estão preocupados com o acordo fechado entre o governo paraguaio e os manifestantes, durante protestos na semana passada que fecharam a fronteira por quatro dias. Entre as reivindicações, estavam a substituição imediata da mão-de-obra brasileira no país (estima-se que quase cinco mil dos 6,2 mil postos de trabalho de Ciudad del Este são ocupados por moradores de Foz que cruzam a Ponte da Amizade todos os dias). Um dos pontos do acordo prevê a demissão gradual de estrangeiros, a começar pelos que não comprovarem residência.

Com medo de enfrentar problemas no Paraguai, vários brasileiros estiveram no Departamento de Migração encaminhando documentos. O agricultor José Francisco Floss, 43 anos, residente na cidade paraguaia de Santa Tereza (45 km da fronteira), foi um dos que buscaram regularizar a situação no país. ''Sem carteira migratória, fico sem dinheiro e sem trabalho'', comentou. Floss lembrou que teve um empréstimo negado no banco local porque a carteira de migração estava vencida.

Para obter o documento, os interessados precisam apresentar carteira de identidade, certidão de nascimento e de antecedentes criminais, exame de saúde, comprovante de residência fixa e duas fotos atuais. A carteira de migração garante a permanência do estrangeiro por 90 dias, podendo ser renovada até que o governo paraguaio avalie o interesse do estrangeiro em viver no país.

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