Grupo quer ajudar mães vítimas de violência
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Clarissa Thomé<br> Agência Estado 
Rio - Mães que perderam seus filhos vítimas da violência estão se reunindo para ajudar mulheres em situação semelhante. Elas se preparam para fundar um núcleo de atendimento psicológico e de encontros de mútua ajuda. Levantamento preliminar com 600 mães feito pelo Núcleo Auto-Estima, como o grupo foi batizado, revelou que em 68% dos casos as famílias desagregraram-se. ''Os parentes se unem em caso de câncer, de doença de algum familiar. Mas quando a morte é violenta, é comum os filhos que ficaram se queixarem da mãe, que só fala no irmão morto. Ou o marido que não quer voltar para casa e encontrar um lugar vago na mesa do jantar'', diz a psicóloga Regina Célia da Rocha Maia, uma das idealizadoras do núcleo.
Regina passou por essas experiências. Em 1995, o filho Márcio Antônio, de 25 anos, foi assassinado com um tiro de fuzil por policiais militares que o confundiram com o sequestrador Marcelo Pena. O disparo foi feito a 62 centímetros da cabeça do rapaz.
Fui 18 vezes ao Batalhão da PM para encontrar o homem que atirou no meu filho, para que ele visse a dor que causou. Um dia soube que o PM tinha ficado tetraplégico depois de ser baleado numa ação'', lembra.
A psicóloga conta ainda que parou de trabalhar, passou por períodos ''alucinatórios'', em que esperava a volta do filho e colocava o prato dele na mesa. ''Tenho três filhas moças e elas tiveram que me dizer: 'mãe, nós estamos vivas'', diz.
Para ajudar mulheres que hoje vivem a mesma situação, Regina e outras 25 pessoas alguns pais também aderiram ao projeto decidiram criar o Núcleo Auto-Estima. Além da troca de experiência e do auxílio psicológico, o grupo pensa em ter programas de reencaminhamento profissional. ''Muitas mulheres dedicam seu tempo atrás de justiça. Outras ficam paralisadas pela dor'', afirma.
O grupo ainda não tem sede e está em busca de um lugar para realizar as reuniões, que ocorreriam uma ou duas vezes por semana. ''Às vezes, a raiva se transforma em solidariedade. Às vezes, umas desistem de viver. Mas é preciso que uns ajudem os outros'', afirmou.


