Grupo queima índio pataxó em Brasília
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de abril de 1997
Agência Folha de Brasília 
Ed Ferreira/Agência Estado
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Sem chanceGaldino dos Santos teve 95% de seu corpo queimado. Médica declarou que é um quadro clínico sem retornoO índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, 45, teve 95% de seu corpo queimado por cinco jovens que lançaram sobre ele um líquido inflamável - provavelmente álcool - e atearam fogo. Segundo os médicos, ele não tem chance de sobreviver. O crime aconteceu no ponto de ônibus da entrequadra 703/704 Sul do Plano Piloto, em Brasília, às 5 horas, no momento em que o índio dormia sobre um banco, após retornar de uma comemoração do Dia do Índio, na sede da Funai.
Os cinco teriam ateado fogo em Santos por divertimento, segundo o delegado Valmir Alves de Carvalho, da 1ª DP, que investiga o caso. Eles foram presos pela manhã e teriam confessado o crime.
É um quadro clínico sem possibilidade de retorno, disse a médica Maria Célia Martins Bispo, do plantão no setor de queimados do Hospital Regional da Asa Norte, onde o índio foi socorrido.
Ele chegou ao hospital consciente, relatando o que havia ocorrido, mas foi sedado em seguida porque sentia dores intensas. De manhã, já teve insuficiência renal e respiratória.
Galdino Jesus dos Santos teve 85% do corpo atingido por queimaduras de terceiro grau, e outros 10%, por queimaduras de segundo grau. Ele foi socorrido por seis pessoas, entre elas o advogado Evandro Castelo Branco Pertence, 27, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Sepúlveda Pertence.
Uma testemunha, o estudante Nairo Euclides Santos Magalhães, 19, anotou a placa do carro utilizado, um Monza preto placa JDQ-5807. O registro da placa permitiu que a polícia localizasse um dos acusados - Max Rogério Alves, 19 - que dirigia o automóvel. A delegada Rosângela Celle Silveira, da 1ª DP, disse que Max Rogério Alves confessou o crime e entregou os outros participantes. Um dos réus confessos é Antonio Novely Cardoso da Vilanova, 19, filho do juiz da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, Novely Vilanova da Silva Reis.
Os outros acusados são Tomás Oliveira de Almeida, 18, G.N.A. (irmão de Tomás), 17, e Eron Chaves de Oliveira, 19. A gente não tinha a intenção de matar ninguém, disse Tomás de Almeida. Segundo o delegado Valmir Alves de Carvalho, os cinco disseram ter incendiado o corpo de Santos com álcool, que utilizariam para limpeza do carro. Também teriam afirmado não haver a intenção do crime. Carvalho disse acreditar em premeditação. A polícia apreendeu vasilhames de álcool e recolheu resíduos da pele do índio no piso da parada de ônibus.
O exame toxicológico - para verificar a ingestão de álcool e drogas no organismo dos réus confessos - só foi providenciado por volta das 18 horas, 13 horas depois da agressão.


