Grupo que ocupa fazenda no Pará promete resistir
BELÉM - A juíza Valéria Medeiros de Mendonça, de São João do Araguaia (sul do Pará), mandou despejar ontem cerca de 1,2 mil famílias que desde o início deste ano ocupam a fazenda Pastorisa, de 15 mil hectares. Os lavradores receberam ontem o mandado de reintegração de posse das mãos do oficial de justiça, que estava acompanhado por três PMs. Entretanto, orientados pelo MST, já avisaram que não pretendem sair. Ninguém quer violência, mas se quiserem tirar o pessoal na marra, haverá reação, avisa Raimundo Nonato Coelho de Souza, diretor do MST em Marabá.
O Incra afirma que a fazenda é produtiva, mas os diretores do MST contestam o laudo do órgão. A fazenda, segundo eles, tem apenas mil hectares de pasto, enquanto os outros 14 mil são de mata fechada. Nos últimos dias, garante o MST, mais de mil castanheiras foram derrubadas por uma empresa, a Rio Vermelho. Essa empresa foi contratada às pressas pelos donos da Pastorisa para justificar a produtividade da fazenda, afirmou Raimundo de Souza. Ele disse que o MST vai exigir nova vistoria da fazenda. Nós não acreditamos nesse laudo do Incra, completou.
A Pastorisa tem sido palco de lutas e mortes pela posse da terra desde 1994. No dia 6 de setembro de 95, foram assassinados a tiros os posseiros João Menezes, Waldemar Brito e um lavrador conhecido por Bigode.





