Curitiba- Ruralistas, ambientalistas, mineradores, representantes de comércio e serviços da região dos Campos Gerais vão fazer um protesto, hoje às 15 horas, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Eles não concordam com a forma como o Ministério do Meio Ambiente vem conduzindo a proposta de criar áreas de recuperação de florestas com araucárias no Paraná e em Santa Catarina. O grupo quer que a discussão seja ampliada antes da criação das unidades.
O ministério realizou em abril, consulta em Ponta Grossa, sobre a Criação do Parque Nacional dos Campos Gerais, da Reserva Biológica das Araucárias e do Refúgio da Vida Silvestre do Rio Tibagi. Os locais seriam desapropriados e os produtores receberiam indenização pelas florestas preservadas.
Mobilizados, agricultores de Ponta Grossa e da Lapa ameaçam entrar na Justiça para evitar prejuízos. ''Por terem preservado a região e a transformado numa reserva ecológica de fazer inveja, os agricultores estão sendo penalizados. O certo seria dar um prêmio para eles em dinheiro e ajudar que eles continuassem preservando suas áreas'', reclamou Frank Djkstra, diretor da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).
O produtor rural acrescenta: ''Antes de se escolher as áreas, tem que ver quem será penalizado com elas. Um dos pontos básicos é a verificação da aptidão que a terra tem. Caso contrário está se levando dezenas de famílias a engrossarem o movimento dos sem-terra.''
De acordo com o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Renováveis (Ibama), Marino Elígio Gonçalves, a decisão de conservação de áreas com araucária foi tomada por causa da situação de penúria que a floresta enfrenta no Paraná. Atualmente, apenas 0,8% de toda a floresta que existia no Estado está conservada. Os ambientalistas alegam que a floresta de araucária está em extinção. ''Existe o risco eminente de extinção, mas ainda é possível estancar o processo de desmatamento e buscar a ampliação das áreas'', afirmou Gonçalves.
A manifestação vai acontecer no horário em que o assunto será discutido, no Palácio Iguaçu, pelo governador Roberto Requião, pelo secretário de Florestas e Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e com o secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida.

mockup