Grupo protesta contra absolvição
Dimitri do Valle
De Curitiba
Os trabalhadores sem-terra acampados no Centro Cívico, em Curitiba, realizaram ontem à tarde em frente ao Tribunal de Justiça do Estado um protesto contra a absolvição dos três oficiais da PM envolvidos no massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás, no Pará. Um caixão foi enterrado no gramado da praça do TJ para simbolizar o sepultamento do Poder Judiciário.
Um oficial da Polícia Militar, que se identificou apenas como major Mauro, protagonizou com os sem-terra o único momento de tensão do protesto. O policial exigiu falar com o líder que organizava o ato. A resposta foi um coro de vozes que identificava todos os cerca de 100 manifestantes como lideranças. O major justificou sua curiosidade, dizendo que o protesto estava meio bagunçado. Recebeu como resposta uma vaia dos sem-terra.
Numa porta lateral do prédio, os sem-terra tentaram fixar uma faixa preta, mas não tiveram sucesso. Um policial militar à paisana tratou de arrancá-la logo em seguida. É o comportamento de toda pessoa que se acha superior. Nós até achamos isso normal por parte deles. A gente tem passado por coisas piores do que isso, comentou Ubiraci Stesko, um dos integrantes da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os sem-terra repetiram em frente ao TJ que Justiça no Brasil é apenas para pobres, negros e prostitutas. Se um trabalhador senta no banco dos réus, ele ganha a pena máxima, afirmou Ubiraci Stesko.
Nem o governador Jaimer Lerner escapou das críticas do MST. Os manifestantes lembraram em discurso que no seu governo 15 sem-terra foram assassinados, sem que os culpados pelos crimes fossem punidos. Os sem-terra também leram um comunicado sobre o resultado do julgamento que livrou os comandantes da PM paraense da cadeia. A decisão do juiz Ronaldo do Valle (que presidiu o julgamento em Belém) não foi um ato isolado. Quem está sentado no banco dos réus não são mais os militares, mas o próprio Poder Judiciário, dizia o texto.





