Grupo português vai disputar liderança em águas minerais
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Jair Rattner (especial para AE) 
Lisboa, 1 (AE) - O grupo português Sousa Cintra, que no Brasil fabrica a cerveja Cintra, pretende conquistar a liderança brasileira do setor de águas minerais. O entrada no setor no País vai ocorrer apenas no próximo ano, quando começar a produção na fábrica de Piraí (RJ), que representa um investimento de R$ 240 milhões.
"O Brasil tem muito espaço para crescer nesse setor. Na Europa, o consumo de água mineral é mais ou menos o mesmo do de cerveja. No Brasil, o consumo de cerveja é de cerca de 80 milhões de hectolitros por ano, enquanto o de águas minerais fica em torno de 24 milhões", afirma Carlos Carreira, diretor geral do grupo.
Neste momento, o grupo está trabalhando em prospecções geológicas para encontrar novos locais para explorar água mineral no Brasil.
Em apenas um ano, a cerveja Cintra conquistou 1,8% do mercado brasileiro a partir da fábrica de Mogi-Mirim (SP). "Estávamos esperando chegar a este nível em dois anos. Fomos surpreendidos pela aceitação do mercado. Hoje temos a sétima marca de cerveja mais vendida no Brasil e somos a quinta empresa do setor, segundo os estudos da Nielsen", diz Carreira.
A compra da fábrica em Mogi-Mirim foi realizada em setembro de 1997, mas só em janeiro do ano passado começou a produzir. "O objetivo é ter capacidade instalada de atender 10% do mercado do mercado brasileiro. Acreditamos que o mercado vai crescer nos próximos anos até atingir 110 milhões de hectolitros
30 milhões a mais do que representa hoje."
Uma das razões que fez o grupo decidir pela compra da fábrica em Mogi-Mirim é a existência de poços em que se pode retirar água mineral na cidade. "Estamos apenas aguardando o alargamento do espaço de armazém da fábrica para começar a produzir."
Segundo Carreira, a fábrica não foi afetada pela crise. "Estamos com a produção máxima. A linha de embalagens de vidro está trabalhando 24 por 24 horas. As latas, não, porque no inverno o consumo é menor", justificou.
Mesmo na compra de matérias-primas, ele diz que a empresa não foi afetada. "Temos a política de comprar matérias-primas onde atuamos. Apenas o lúpulo e parte do malte são importados, embora o malte importado seja transformado no Brasil. O grande reflexo da crise foi nas latas de alumínio, mas aí a concorrência também sofreu a mesma coisa."
Sucesso - Carreira acredita que o sucesso está ligado ao fato de a empresa ter conseguido entender o mercado brasileiro. "Entramos na tendência do mercado brasileiro. A Cintra é uma cerveja mais leve e mais clara do que as européias. O brasileiro prefere estas cervejas."
Hoje, cerca de 15% da produção da cerveja Cintra é exportada. A cerveja já chega a 20 países, com destaque para o Mercosul e outros países da América Latina, Estados Unidos, Angola e Moçambique. "Enviamos um carregamento exploratório para a China e, se confirmarem as quantidades pedida, vamos ter latas em chinês", disse. O objetivo da empresa é exportar pelo menos 10% da produção, atingindo 50 milhões de reais em três anos.
Refrigerantes - Além de cerveja e água mineral, a nova fábrica de Piraí também vai ser o início da atuação do grupo no setor de refrigerantes. Serão abertas três linhas de produtos: guaraná, laranja e lima-limão. "Desenvolvemos fórmulas próprias de refrigerantes, com técnicos brasileiros", afirma Carreira.
O objetivo dos refrigerantes não é tornarem-se o carro-chefe principal da empresa, mas completar o mix de produtos, o que permite rentabilizar a distribuição.
A nova fábrica de Piraí vai começar com capacidade de produzir 1,8 milhão de hectolitros por ano de refrigerantes e 1 2 milhão de água mineral. Para a cerveja, a capacidade de produção será inicialmente de 3 milhões de hectolitros, mas a infra-estrutura é para 6 milhões. A fábrica de Piraí também vai produzir chopp, que não é fabricado em Mogi-Mirim.
Atualmente, o grupo atua em Portugal e na Espanha. A principal atividade do grupo é a exploração e engarrafamento de águas minerais.


