Grupo português detém 50% do faturamento de supermercados no RS
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quarta-feira, 30 de junho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 1 (AE) - O grupo português Sonae já detém 50% do faturamento de todo o setor supermercadista do Rio Grande do Sul, conforme ranking divulgado hoje pela revista da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). De acordo com a entidade, com a aquisição das redes Nacional e Exxtra-Econômico, a empresa faturou R$ 2,533 bilhões em 1998, contra um volume total de vendas de R$ 5 bilhões no segmento no Estado.
Além das duas redes incorporadas no ano passado, o Sonae opera no Estado com a bandeiras Real (incluindo os hipermercados BIG), num total de 140 lojas, 18,8 mil funcionários e 271 mil metros quadrados de área de vendas. As três empresas controladas pelos portugueses estão entre as quatro maiores do ranking da Agas e a receita somada do grupo supera ainda em 56% o total das vendas das outras 47 empresas que fazem parte da relação e que faturaram R$ 1,6 bilhão em 1998.
Em todo o País o Sonae faturou R$ 2,693 bilhões em 1998, contando as receitas das redes Cândia, de São Paulo, e Mercadorama e Coletão, do Paraná. Com isso o grupo figura em terceiro lugar no ranking da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), atrás do Carrefour (R$ 7 bilhões) e Pão de Açúcar (R$ 6,6 bilhões).
Em segundo lugar no Rio Grande do Sul aparece a Companhia Zaffari, de Porto Alegre, que faturou R$ 656,2 milhões. A empresa tem 19 lojas com 65,9 mil metros quadrados de área de vendas e 6,5 mil funcionários. Depois aparece a Comercial Unida de Cereais, de São Leopoldo, com faturamento de R$ 85,3 milhões, 20 lojas, 16,3 mil metros quadrados e 1,5 mil funcionários.
A liderança disparada do Sonae no Estado já provocou queixas de indústrias de alimentos, que estariam sendo vítimas de pressões exageradas pelo rebaixamento de preços e aumento exagerado de prazos de pagamento por parte do supermercado. A situação provocou a intervenção da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), que está negociando em nome dos fornecedores.
Reclamações semelhantes também ocorreram no Paraná, o que levou a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados a iniciarem investigações sobre a conduta do grupo. Os dois organismos querem verificar se a empresa está de fato cometendo práticas abusivas contra fornecedores.


