Grupo pensou em sequestrar Dias
O ministro da Justiça José Carlos Dias escapou por pouco de ser sequestrado pelos colonos do distrito de Panambi no início de setembro passado. O plano, revelado só agora pelo líder dos colonos Dionésio Marques Rosa só não foi executado porque o ministro cancelou na última hora a viagem que faria a Panambi. ‘‘Hoje reconhecemos que era um plano desesperado e eu dou graças a Deus que não tenha dado certo’’, afirma Rosa.
No início de setembro, o conflito parecia próximo da eclosão. Os índios pressionavam de todas as formas e ameaçavam com a invasão imediata das terras. ‘‘Nós já havíamos tentado de tudo para conseguir que as autoridades nos ouvissem. Pedimos apoio de políticos, chegamos a fechar por duas vezes a rodovia que liga Panambi a Dourados. E tudo que ouvíamos eram evasivas. Daí, quando a coisa esquentou, nos desesperamos mesmo’’, lembra.
O plano desesperado dos colonos foi cuidadosamente arquitetado. ‘‘Preparamos um barracão com todo conforto aqui dentro da colônia. Quando o ministro chegasse, iríamos levá-lo para lá para discutir a questão das nossas terras. Assim que ele se sentasse, vários homens armados iriam render seus seguranças e assessores. A idéia era mantê-lo sequestrado até que tivéssemos uma proposta concreta para o problema’’, lembra.
Hoje, Rosa reconhece que esta solução simplista foi copiada dos próprios índios, que semanas antes haviam sequestrado funcionários da Funai com o objetivo de forçar uma solução do mesmo problema. ‘‘Mas não repetiríamos mais essa loucura’’, garante. Esta nova atitude de Rosa não tem nada a ver com mudanças na postura das autoridades. ‘‘Até agora, não recebemos nenhuma proposta concreta do Ministério da Justiça, só vagas sugestões. Há alguns dias, um assessor do ministro esteve aqui, nos ouviu por dez minutos e tudo ficou por isso mesmo’’, comenta.
Apesar disso, Rosa acredita que ainda pode haver uma solução pacífica. ‘‘Tenho certeza de que os próprios índios não querem briga e só farão isso em situação extrema. Alguns líderes chegaram a propor recentemente que uníssemos forças para pressionar o governo. Talvez esta seja uma saída. Mas, por enquanto, do governo, só temos o silêncio.’’ (P.S.M.)

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