Rio - Cerca de 50 pessoas deram ontem um abraço simbólico na estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. O grupo, integrado por familiares de vítimas, é ligado à Frente Parlamentar Brasil Sem Armas. Eles decidiram ir ao Corcovado para repudiar o que consideram uma espécie de ''banalização'' dos mortos vítimas de armas de fogo pela campanha da frente adversária, que defende o ''Não'' no referendo.
''Queremos mostrar que a sociedade está aderindo. Não é só artista, como eles estão dizendo. Eles estigmatizaram a nossa campanha, mas queremos mostrar que o povo está envolvido'', disse Cristina Leonardo, advogada de vítimas de violência que se engajou na frente. Com camisetas da campanha do ''Sim'', os manifestantes distribuíram panfletos e adesivos até mesmo para os turistas estrangeiros. Convidado, o músico Marcelo Yuka não pôde comparecer.
Apesar de a maioria dos manifestantes contar histórias em que policiais estão por trás das armas que mataram seus parentes, o grupo acredita que a proibição do comércio de armas pode diminuir a violência. ''Uma arma pode matar um inocente, assim como uma matou o Maicon'', disse a artesã Maria da Penha de Souza, 47 anos, referindo-se ao filho de 2 anos e meio. Ele foi atingido na cabeça por uma bala perdida quando brincava no quintal de casa, numa favela da zona oeste do Rio. Houve um confronto entre policiais e traficantes e até hoje o autor do disparo não foi identificado.
Ana Amélia Silva, de 40 anos, apoiava o grupo, mas fez ressalvas ao referendo e cobrou políticas concretas de segurança pública. ''Perdi meu filho atropelado por um juiz, mas sou solidária às mães que foram vítimas das armas de fogo. Claro que a gente não quer que ninguém tenha arma, mas nós já estamos desarmados e indefesos'', queixou-se. Para Cristina Leonardo, o importante é estimular a reflexão sobre o tema. ''O referendo fez com que a gente discuta segurança pública. Essa questão precisa virar prioridade.''
Segundo a advogada, a Frente Brasil Sem Armas deve promover um carnaval fora de época em Porto Alegre no próximo fim de semana. O esforço se deve ao fato de o Rio Grande do Sul ter forte tradição de posse de armas. O sambista Neguinho da Beija-Flor deverá animar a festa com as escolas de samba da capital gaúcha com um samba composto especialmente para a campanha do ''Sim''.

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