Uma comitiva formada por Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a viúva do sem-terra assassinado no Paraná levou ontem a Brasília o pedido de demissão do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira.
O grupo, integrado pela viúva de Sebastião de Maia, Adelina Ventura Nunes, que perdeu o marido numa desocupação há oito dias, em Querência do Norte, Noroeste do Estado, iria se reunir ontem à noite com o ministro da Justiça, José Gregori.
A comitiva defendeu ainda a paralisação das operações de desocupação de fazendas. Gregori também receberia um dossiê com a relação de mortes de integrantes do MST em todo o País, incluindo os 16 homicídios registrados no Paraná desde 1995, início da gestão do governo Jaime Lerner (PFL). ‘‘Não há mais confiança na mediação da reforma agrária no Paraná enquanto o governo e o Incra estiverem do lado das grandes corporações e dos grandes proprietários de terra’’, afirmou o advogado da CPT, Darci Frigo.
O superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, avisou que enquanto permanecer no cargo, não vai mais receber as lideranças do MST. ‘‘Na minha administração estou alijando das conversas o grupelho político do MST’’, disse Vieira. O superintendente declarou que não ficou surpreso com o pedido de sua saída do cargo. ‘‘Para mim está ótimo. É sinal de que estou trabalhando para fazer a reforma agrária de forma técnica e não política.’’
Gregori recebeu ainda uma comitiva do governo do Estado representada pelos secretários Pretextato Taborda Ribas (Justiça) e Rafael Greca (Comunicação Social), além do ouvidor de assuntos fundiários, Antônio Carlos Coelho. Os secretários deram ao ministro um panorama sobre os programas de assentamentos entre os governos federal e estadual, que já assentaram 12,7 mil famílias desde 1995, o equivalente a 82% do que se fez no Estado em 14 anos.
O ministro da Justiça conheceu o programa Vila Rural, que segundo o governo, assentou 11,3 mil famílias em 301 áreas. De acordo com a assessoria de Comunicação Social do Palácio, o ministro elogiou a iniciativa dos secretários e destacou os esforços que o Governo do Estado está desencadeando para identificar os autores da morte de Sebastião de Maia.

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