Assunção, 30 (AE-AP) - Um grupo humanitário pediu hoje (30) ao governo norte-americano que retire o segredo de documentos do período de 1950-80 a fim de processar o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, hoje exilado no Brasil.
Martín Almada, presidente do "Tribunal Ético contra a Impunidade", afirmou hoje durante uma entrevista coletiva que o governo do presidente Bill Clinton "deve desclassificar as informações levantadas pela embaixada norte-americana durante a ditadura". Segundo ele, "será a única forma de conhecer totalmente as violações e crimes realizados por Stroessner".
"Uma vez desclassificados esses documentos, qualquer governo do mundo poderá deter, processar e até mesmo prender Stroessner, que segue vivendo tranquilo, sem pagar por suas culpas", acrescentou Almada.
Stroessner, de 85 anos, vive exilado no Brasil desde fevereiro de 1989. Entretanto, pesa sobre ele uma ordem de captura internacional assinada em 1991 à raiz de indícios de responsabilidade na morte por tortura de dois irmãos.
Os irmãos Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba foram detidos em 1976 pelo então temido departamento de investigações da polícia política de Stroessner, acusados de serem membros da guerrilha Organização Político-Militar, que à época buscava a queda da ditadura.
Até o presente os restos dos irmãos Ramírez Villalba não foram encontrados.

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