Grupo passa 7 horas no BB e arromba cofres particulares
Rio, 16 (AE) - Cerca de 20 homens armados com metralhadoras AK-47 e pistolas assaltaram hoje a sede do Banco do Brasil na Rua Senador Dantas, no Centro do Rio. Os assaltantes, que passaram sete horas dentro do banco, arrombaram os cofres particulares e saíram levando oito sacolas. A polícia não sabe precisar ainda o montante do prejuízo.
Para entrar no banco, os ladrões sequestraram o supervisor da segurança, Alexander Machado Campos, e mantiveram sua família como refém. Nenhum tiro foi disparado durante a ação e ninguém ficou ferido.
Eram 6 horas quando Campos saiu de casa, em Inhaúma, zona norte, para vir ao banco. No ponto de ônibus, dois homens em um Escort azul o abordaram para pedir informações. Ao se aproximar do carro, Campos foi rendido. "Eles disseram que iriam assaltar o banco e que iriam precisar da minha ajuda", afirmou.
Em seguida, os assaltantes voltaram para a casa de Campos e fizeram reféns sua mulher, Delaine Patrícia da Conceição, de 26 anos, e o filho do casal, Leonardo, de 11 meses. "Se não colaborasse, matariam a minha mulher", completou.
Enquanto Delaine era rendida e algemada pelos assaltantes, Campos foi obrigado entrar em um Gol branco, também com dois homens que já o aguardavam em frente à sua casa. O carro, então, seguiu para a agência do BB no Centro.
O segurança chegou no banco às 7h15. Com a família refém
ele simulou trabalhar normalmente. Às 8h10, os bandidos entraram no prédio e subiram até o 24ª andar, onde funciona a central de segurança, rendendo todos os funcionários e seguranças. "Eles usavam armamento pesado, como fuzis e metralhadoras", contou Campos.
Os assaltantes renderam os seguranças da empresa Esparta
concratada pelo BB, e cerca de 50 pessoas que estavam no prédio. Mandaram que todos tirassem as roupas e os trancaram em uma sala.
Com a ajuda de outro supervisor de segurança da Esparta, identificado apenas por Barbosa, os bandidos foram direto para o sexto andar, onde ficam os cofres particulares, munidos de maçaricos.
Campos foi mantido no primeiro andar do prédio, vigiado por três homens, um deles, um senhor de cabelos grisados, que, segundo o segurança, lhe disse que já havia trabalhado no banco. Segundo Campos, sua função era interpelar qualquer telefonema que pudesse tocar durante o assalto.
"Quando eles arrombaram o cofre, o alarme, que é ligado em São Paulo, tocou e o pessoal de lá me ligou três vezes perguntando o que estava acontecendo, mas fui obrigado a dizer que não havia nada de errado", explicou.
Após limpar os cofres, a quadrilha trancou levou todos os reféns, inclusive Campos, para o porão do prédio, onde foram trancados. Na saída, os bandidos destruíram a fita do circuito interno de TV, fecharam a porta por fora, levaram a chave e o supervisor Barbosa, que foi libertado cerca de uma hora depois, em Parada de Lucas, na zona norte.
Campos conseguiu arrombar a porta do porão e correu até a cabine da polícia, em frente da sede do banco, para contar o que havia acontecido. A família de Campos foi libertada à tarde pela polícia, que chegou 15 minutos depois dos assaltantes terem ido embora.
De acordo com policiais, a ação foi planejada há seis meses. Até às 21h30 de hoje, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos ainda estavam no prédio, fazendo a perícia do local.
Segundo a polícia, os assaltantes não tentaram entrar no cofre do banco, localizado no subsolo do prédio, porque sabiam que seria praticamente impossível arrombá-lo.
Um assalto semelhante ocorreu há um ano em um prédio da Sul América Seguros, no Centro do Rio, em um sábado. Para entrar no prédio, um grupo de 20 homens armados sequestrou o tesoureiro Carlos Higino em casa. A polícia chegou a prender cinco suspeitos e recuperou US$ 55 mil e R$ 4,8 mil.Por Roberta Jansen e Murilo Fiuza de Melo ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige e acrescenta informações, com novo texto. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.





