Rio, 12 (AE) - Os controladores do Grupo Orsa - que aguardam a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de outros credores do Complexo Jari para finalizar a compra do projeto - estão pleiteando um empréstimo de R$ 18 milhões junto ao banco. O dinheiro, pedido no segundo semestre do ano passado, será aplicado na construção da fábrica de Rio Verde (GO) e na modernização das unidades de Nova Campina, Paulínia e Suzano, as três em São Paulo.
Os investimentos nestes projetos somam R$ 45 milhões, R$ 30 milhões apenas em Rio Verde, uma unidade de papelão ondulado que, de início, abastecerá a fábrica que a Perdigão está montando no mesmo município.
Segundo o presidente do Orsa, Sérgio Amoroso, a nova unidade do grupo começa a ser construída em 30 ou 40 dias e deve estar funcionando até o final do ano. A capacidade final será de 72 mil toneladas. Em Nova Campina (celulose e papel kraft), Paulínia (papel reciclado e embalagens) e Suzano (embalagens), haverá modernização de processos.
Como alternativa ao empréstimo do BNDES (se a operação não vingar), o Orsa negocia um repasse do Fundo do Centro-Oeste, um fundo constitucional do governo. Deve haver também uma contrapartida dos fornecedores e US$ 7 milhões do banco de fomento alemão KFW.
A compra do Jari é um passo grande para o Orsa, que faz o grupo dobrar de tamanho, de acordo com os cálculos do BNDES. A proposta do grupo é pagar em 11 anos a dívida de US$ 350 milhões do Jari com a própria geração de caixa do projeto. Os irmãos Guilherme e Mário Frering, controladores da mineradora Caemi e do Jari, acertaram a venda do deficitário complexo na Amazônia ao Orsa, que aguarda apenas o sinal verde dos credores para finalizar a operação. Amoroso estima que tudo estará resolvido até o dia 21 de janeiro.
O vice-presidente do BNDES, José Mauro Carneiro da Cunha
já afirmou que os credores consideram boa a solução, já que o grupo é nacional e cresceu adquirindo e reestruturando empresas. A unidade de Nova Campina, por exemplo, foi incorporada ao grupo em 1990 e a de Paulínia, em 1992.
O Orsa é um grupo familiar fundado em 1981. As atividades são integradas e vão das florestas à produção de papelão. O grupo começou fabricando papelão ondulado e, posteriormente, chegou ao início da cadeia de produção. Em 1995, comprou 35 mil hectares de florestas. O faturamento foi de R$ 220 milhões em 1998 e deve ter atingido R$ 300 milhões em 1999, informou Amoroso.