O Cimi surgiu em 1977. Mas o que é o Cimi? ''Somos um órgão da CNBB, um grupo missionário que presta assessoria aos índios e procura conscientizá-los de seus direitos e dos cuidados que devem tomar na luta contra o governo e os fazendeiros; sabemos que a luta será longa e que não hão de faltar contratempos, mas vamos em frente'', explica Maucir, que defendeu uma dissertação de mestrado intitulada O Direito Indígena no Ordenamento Brasileiro: Uma Obrigação da União.

Segundo ele, existe uma unanimidade entre antropólogos, indigenistas, ONGs e Cimi em relação à atitude e as palavras de um índio velho que, numa audiência do Tribunal Federal de Justiça, afirmou: ''Nosso direito é sagrado!'' E perguntou: ''Se vocês, caraí (brancos), não pediram licença para entrar aqui, como é que agora querem nos dizer o que podemos e o que não podemos, o que é nosso direito e o que não é?''

O coordenador-geral do Cimi em Mato Grosso do Sul, Nereu Schineider, endossa os argumentos de Maucir. ''Os índios estão encurralados em apenas 600 mil hectares do total de 30 milhões de hectares que compõem o Mato Grosso do Sul; será que eles não teriam direito a pelo menos 2 milhões de hectares?'' sugere.

Na semana passada, o presidente da Funai, Glênio da Costa Alvarez, esteve em Campo Grande com representantes do governo estadual, de ONGs, de aldeias indígenas e da Cimi. Declarou que o Mato Grosso do Sul é o Estado com o maior número de conflitos entre índios e fazendeiros, tendo superado Rondônia, o campeão anterior. ''Existem 54 áreas de litígio entre os dois grupos'', garantiu Alvarez, confirmando dados fornecidos pelo Cimi. Os caiovás-guaranis e os terenas são os que mais reivindicam terras nos municípios de Paranhos, Caarapó, Dourados, Juti, Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia. O presidente estava muito contrariado porque um laudo da Funai, que ampliava de 2 mil para 17 mil hectares a reserva indígena terena em Dois Irmãos do Buriti foi desconsiderado pela Justiça. ''Os fazendeiros estão apenas adiando o que acontecerá em breve'', previu Alvarez, em tom ameaçador. (C.S.A.)

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