Grupo mata três estudantes e fere sete em escola de Campinas, SP
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 07 (AE) -Três homens encapuzados e armados com revólveres calibre 38 mataram três e feriram sete estudantes ontem (06) à noite na Escola Estadual de Primeiro Grau Vida Nova
no bairro Vida Nova, na periferia de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo. Os três estudantes, com idade entre 14 e 19 anos, morreram no local, com tiros no peito e na cabeça. Dois permaneciam internados em estado grave hoje à tarde. A polícia conseguiu identificar um dos suspeitos, mas até o meio da tarde ninguém havia sido preso.
O crime aconteceu por volta das 22h30, quando os alunos se preparavam para deixar a escola. Segundo uma estudante, que não quis ser identificada, os criminosos chegaram em uma Saveiro
entraram pelo portão principal e foram para a casa do zelador, conhecido apenas como "Newtinho". Os criminosos, de acordo com a testemunha, procuravam por um dos alunos. O nome não foi revelado."Como ninguém quis dar informações, eles disseram que iriam matar todo mundo e começaram a atirar", contou.
Mortos - O primeiro a ser morto foi o estudante Leonardo Pereira Souza Barbosa, de 19 anos, que estava na casa do zelador. Ele levou um tiro na cabeça. Os adolescentes José Eduardo Alves, 14 anos, e Márcia Ramos Oliveira, 15 anos, ainda tentaram se proteger das balas, mas foram atingidos e morreram no pátio da escola.
Em pânico, os outros estudantes tentavam fugir da quadrilha, que continuava atirando. Daiane Raquel Oliveira, de 15 anos, levou um tiro no olho direito e até o início da tarde de hoje estava internada no hospital Celso Pierro. Segundo os médicos, ela corre o risco de ficar cega. Outro adolescente, Wesley Silas dos Santos, de 16 anos, foi baleado no abdome e teve de passar por uma cirurgia no mesmo hospital.
Também foram atingidos, mas estão fora de perigo, os estudantes Gilmar Antunes Lima, de 22 anos; Luciano Aparecido Santos, 20 anos; Roberto Waldalecir Alves, 18 anos; Arles Eder dos Santos, 18 anos; e Gilberto Silva Francisco, 16 anos. Depois da chacina, os criminosos fugiram sem deixar pistas. As três vítimas fatais foram sepultadas no final da tarde.
Drogas - A polícia suspeita de que o crime tenha sido motivado por uma disputa entre grupos rivais e não descarta o envolvimento com tráfico de drogas. Uma das hipóteses, é de que os criminosos estavam à procura de Leonardo Pereira Souza Barbosa, o primeiro estudante a ser morto. O zelador "Newtinho", que mora na escola, também será investigado.
Pais de alunos disseram que o zelador costumava receber adolescentes do bairro, para atividades sócio-educativas. Muitos desses garotos, segundo os moradores, não estudam na escola. "Ainda não sabemos se os criminosos procuravam pelo zelador ou por um desses garotos do bairro", disse o tenente da Polícia Militar, Carlos Roberto de Freitas.
O coordenador da Delegacia de Ensino responsável pela área onde a escola funciona, Antonio Admir Schiavo, ficou surpreso ao saber das suspeitas contra o zelador. "Ele ( o zelador) sempre foi o ponto de equilíbrio da escola", afirma. Segundo Schiavo, "Newtinho" abria a instituição nos finais de semana para desenvolver atividades sócio-educativas com adolescentes do bairro.
"Newtinho" foi contratado pela Associação de Pais e Mestres da escola, mas recebe seu salário do governo estadual. Depois da chacina, segundo testemunhas, o zelador ajudou a socorrer os feridos. Hoje pela manhã ele esteve nos hospitais para onde as vítimas haviam sido levadas, mas não quis falar sobre o crime.
Hoje (07) pela manhã o clima era de revolta e medo entre os moradores do bairro. "Ouvi os tiros e, quando percebi, meus amigos já estavam caídos e ensanguentados", contou a aluna Pamela Keyte Camargo Rodrigues, de 14 anos. Ela disse que, no momento do crime, participava do ensaio de uma peça de teatro com outros vinte estudantes no pátio da escola. "Fiquei desesperada e corri para casa", conta.
"Ela chegou em casa em estado de choque falando que seus colegas tinham sido baleados", disse a mãe da estudante, Angela Maria Camargo Rodrigues. A família mora perto da escola. "Um colega chegou em casa e disse que meu irmão tinha levado um tiro na escola", disse o garoto Leandro de Souza, de 14 anos, irmão de Leonardo. Ao receber a notícia, os pais entraram se desesperaram.
"A culpa é do governo estadual, que não garante a segurança no bairro", protestou o presidente da Sociedade Amigos de Bairro, José Francisco Carbota. Segundo ele, a polícia não faz o policiamento preventivo no bairro. "Além disso, os portões da escola ficam sempre escancarado."


