São Paulo, 23 (AE) - O investigador de polícia Jorge Rui Dolores de Mello, de 26 anos, foi assassinado com 11 tiros, ontem (22) à noite na Estrada Velha de São Miguel, em Guarulhos, SP. Os assassinos integram a quadrilha que, na semana passada, matou com nove tiros o delegado José Luiz de Souza, de 57, do 4.º Distrito, de Guarulhos.
Os acusados dos assassinatos e de outras mortes estão presos na Delegacia de Homicídios, de Guarulhos. Um deles, Fernando Simões da Silva Custódio, de 20 anos, foi o primeiro a ser preso. Tinha no pulso o relógio do delegado Souza. Outro ladrão, F.P., o Batoré, de 15 anos, estava com a automática 45 roubada do delegado. Segundo os policiais, foi dele a iniciativa para executar os policiais.
Além deles estão presos W.L.S., de 16 anos, F.O.N., de 16, D.D.P., de 17, C.E.G., de 16, M.P., de 16, L.S.O., de 16, Luciana Nascimento Araújo, de 20, Adriana Ferreira Reis, de 21, Magna Lopes, de 19, e Mirna Nilde Araújo, de 34. A polícia procura outras três pessoas.
Armas - Mirna alugava as armas para a quadrilha assaltar. Os menores têm inúmeras passagens pela Febem. A polícia suspeita de que o grupo tenha participado de dezenas de assaltos e da morte de um advogado, um engenheiro e dois policiais militares.
O investigador Mello foi torturado antes de ser executado, com sua própria arma, uma pistola Taurus calibre 380. Ele foi baleado nas costas, mãos, nádegas e cabeça. Os ladrões disseram que mataram os policiais temendo sofreR represálias se fossem descobertos.Nas imediações da Favela Pantanal queimaram o carro do investigador, o Gol placa BUA-7297, próximo do local onde também queimaram a caminhonete Toyota do delegado. "Queimar os carros dá moral entre a malandragem", contou Batoré.
Mello estava casado havia cinco meses. Trabalhava no plantão do 24.º Distrito, em Ermelino Matarazzo, zona leste. A última vez que a mulher de Mello teve notícias dele foi por volta das 20 horas. Pelo celular, ele disse que estava a caminho de casa, no bairro de Cangaíba, zona leste, e pediu para que o esperasse para o jantar. O corpo do investigador foi encontrado pouco antes das 21 horas.
Relâmpago - Mello pode ter sido atacado no mesmo cruzamento onde o delegado foi dominado. A carteira de funcionário da Polícia Civil e o talão de cheques estavam no bolso da calça. O celular, a arma e os cartões magnéticos foram levados pelos assassinos que disseram ter atacado para "correr" caixas eletrônicos. Quando descobriram que ele era policial, o executaram.
O presidente do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil, Lourival Carneiro, quer que os investigadores de São Paulo respondam aos criminosos de "maneira enérgica", pois eles "perderam o respeito pela autoridade."Carneiro informou que só este ano 33 investigadores já foram assassinados em São Paulo. "Na Polícia Civil jamais houve uma situação como essa", disse. "É preciso dar um basta."

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