Três homens armados com pistolas semi-automáticas e revólveres mataram uma mulher grávida e balearam outras oito pessoas, entre elas um menino de 12 anos. O crime foi à 1h20 de ontem, na Favela Ceasa, na Marginal do Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A polícia suspeita de que uma disputa pelo domínio de pontos-de-venda de drogas no local ou de vingança contra traficantes sejam o motivo do crime.
A mulher grávida não sido identificada até o final da tarde. Policiais militares levaram Daniel Luiz de Camargo, de 37 anos, Sandra Mamede Saraiva de Freitas, de 36, Patrícia Santana, de 21, e Joel Rodrigues dos Santos, de 36, ao Pronto-Socorro da Lapa. Santos, baleado no pescoço, foi transferido, mais tarde, para o Pronto-Socorro do Jardim Sara.
Os PMs socorreram mais cinco pessoas, Danilo Vieira de Oliveira, de 12 anos, Odair Aparecido Costa, de 21, Marcelo Gonçalves, de 25, e outras duas mulheres, não identificadas. Eles foram levados para o Hospital das Clínicas (HC), onde uma das mulheres morreu.
As vítimas estavam perto da esquina da Marginal do Pinheiros com a Avenida Manuel Bandeira. Ali perto fica o portão 9 da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), na Vila Leopoldina. De acordo com o delegado Armando Roberto Bellio, titular do 91.º Distrito Policial, o local é usado por moradores de rua, viciados e traficantes de drogas, principalmente, de crack.
De acordo com um dos sobreviventes, os criminosos chegaram em um Passat marrom. Os três homens saíram do veículo e atiraram. Estavam com, pelo menos, uma pistola calibre 9 milímetros e um revólver calibre 32. Após os disparos, os matadores entraram no carro e fugiram.
Os policiais encontraram oito cápsulas de balas pistola calibre 9 mm no local e duas de revólver calibre 32.Os investigadores chegaram duas hipóteses para o crime. Uma vingança contra traficantes da favela, cometida por policiais que foram atacados pelos criminosos. A segunda é de que o crime tenha sido motivado por disputa por pontos-de-venda de droga. ‘‘Acredito que a remoção de parte da favela, na semana passada, causou a alteração de pontos-de-venda de drogas, abrindo a disputa pelos que restaram e pelos novos’’, disse o delegado.
Na quarta-feira, a Prefeitura retirou do local parte dos moradores para iniciar a construção de 200 apartamentos do Projeto Cingapura. Naquele dia, moradores da favela atearam fogo a pneus e chegaram a interromper o tráfego da Avenida Doutor Gastão Vidigal, onde fica a delegacia, para protestar contra a remoção dos barracos.
De acordo com a polícia, o tráfico de drogas na Favela do Ceasa, cuja extremidade sul chega aos muros da delegacia, é forte por causa de sua localização. Ela atrai viciados dos bairros de Pinheiros, Vila Madalena e Lapa. ‘‘Os traficantes utilizam crianças que vivem na favela para distribuir a droga e avisá-los da chegada da polícia, o que permite aos criminosos desaparecer com drogas e armas, antes de conseguirmos alcançar o barraco suspeito’’, afirmou o delegado.
Durante a manhã, os policiais foram tentar ouvir os oito sobreviventes. Os três que permaneceram no Pronto-Socorro da Lapa afirmaram aos policiais que viram apenas o Passat marrom chegando e não podiam reconhecer os criminosos. A polícia tentou ouvir Joel Rodrigues dos Santos, no Pronto-Socorro do Jardim Sara, mas o paciente não foi liberado pelos médicos. Os policiais tentariam ouvir as vítimas internadas no HC. ‘‘É sempre assim nesse tipo de crime: ninguém viu, ninguém quer falar’’, disse o delegado.

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