Serrana, SP, 08 (AE) - Cinco jovens foram mortos por volta da 1h30 desta madrugada em Serrana, a 20 km de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Cinco homens encapuzados invadiram uma residência, no Jardim Bela Vista, mataram o grupo - três adolescentes - e fugiram. Todas as vítimas são de Ribeirão Preto e tinham passagens pela polícia. Foram encontradas 69 perfurações de balas nos corpos.
Morreram Fabio Adriano Ribeiro Paulino, de 16 anos, Fabiano dos Santos Pires, 19 , João Ferreira Domingos, 15, José Geraldo Sobrinho, 16, e Luciano Cândido Rodrigues, 22. Os cinco estavam se escondendo no local, um quarto de edícula. Essa é a primeira chacina do município, segundo o delegado Maurício de Brito.
A polícia trabalha com duas hipóteses para o crime, acerto de contas ou briga de traficantes. Os parentes dos jovens acreditam haver relação com uma tentativa de homicídio ocorrida no sábado(05), quando o pedreiro Marcelo Alves da Silva, de 19 anos, foi baleado numa lanchonete da praça da Vila Tecnológica, no bairro Maria Casagrande Lopes. Silva foi hospitalizado e está se recuperando.
No domingo (06) à noite, a vingança teria começado. A casa de Fabio Adriano foi crivada por tiros e invadida. Os móveis foram destruídos. A mãe de Fabio, Maria Auxiliadora Ribeiro, que mora ao lado do filho, ficou assustada e, na noite de ontem (07), foi dormir na casa da sobrinha.
Fabio, que ficou seis meses na Febem por assalto, saiu de casa às 17h do mesmo dia. Ele, Fabiano, João, José Geraldo e Luciano dormiam na edícula, na rua da delegacia de Serrana, quando foram mortos. Os cinco homens que chegaram à casa da frente, de Nilton Alves Marinho, disseram ser da polícia. Autorizada pelo dono, a manicure Edna Rodrigues Godoy, que perdera o ônibus para Serra Azul e dormia no local, foi rendida e obrigada a ficar voltada para a parede.
Espancado, Marinho foi levado até os fundos, servindo de escudo para a invasão do quarto dos garotos. Marinho disse que recusou-se a servir de escudo por saber que José Geraldo tinha uma arma 380 milímetros. Mesmo sob a mira de uma arma e temendo pela vida, Marinho reagiu e fugiu. Edna, que teve os documentos roubados, só saiu de lá quando os assassinos sumiram.
Ela pegou carona para Serra Azul com a polícia, mas foi só no caminho que contou o ocorrido. Apesar do barulho dos tiros
nenhum vizinho acionou a polícia. Entre os corpos foram encontradas dezenas de cápsulas, nove pedras de crack, pedaços de relógios e cinco CDs.
O último reconhecimento de corpo foi de Luciano Cândido Rodrigues. A mãe, Dirce, de 53 anos, que tem nove filhos, um deles cumprindo pena no Carandiru, em São Paulo, tinha certeza de que Luciano estava morto antes mesmo de vê-lo. Ontem (07) ela disse ao filho: "Não sai de casa." Ele retrucou: "Não, mãe, eles vão me matar, tenho que sumir." Os corpos passaram por autópsia em Ribeirão Preto e serão sepultados amanhã (09).

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