Cerca de 50 pessoas participaram, ontem de manhã, em Londrina, de uma caminhada organizada pelo grupo londrinense denominado Canoas contra uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a interrupção da gestação de fetos anencéfalos (sem cérebro). O grupo Canoas existe há dois anos e é formado por profissionais de várias áreas que lutam pelo exercício da cidadania.
A médica geriatra Renata Dip que é membro do grupo acredita que, embora sem cérebro e praticamente sem expectativa de vida, tem o direito de nascer. ''Não é porque ele vai morrer logo que vamos matá-lo antes. Com essa lógica também poderíamos desligar os aparelhos que sustentam pacientes nas UTIs'', justificou a médica.
De acordo com a presidente do grupo Canoas, Sônia Cyrino, o objetivo da caminhada foi chamar a atenção da comunidade para o assunto e conscientizá-la da importância da vida. A bacharel em direito Neide Naomi Hirama disse que o aborto do anencéfalo traz prejuízos psicológicos e físicos à mãe que pode ter dificuldade para engravidar novamente. ''Acho que uma decisão como essa necessita de muita informação que deveria ser transmitida, principalmente, pelos médicos'', disse Neide.
Para Renata Dip, o maior perigo na aprovação deste projeto de lei é a brecha que ele abre para o aborto de fetos com outras anomalias físicas ou psíquicas. De acordo com a farmacêutica Mércia Preto, especialista em Bioética, não podemos comparar a morte natural com a morte provocada e o fato da imperfeição não anula sua dignidade. ''Cabe a nós ajudar esses seres indefesos a, pelo menos, nascer'', concluiu.
Os manifestantes percorreram o Calçadão e seguiram até o Zerão. Contato com o grupo Canoas pode ser feito pelos e-mails: [email protected] ou [email protected] ou ainda pelo telefone: (43) 3325-7238.

mockup