Grupo londrinense faz protesto contra aborto
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domingo, 22 de agosto de 2004
Betânia Rodrigues<Br>Reportagem Local 
Cerca de 50 pessoas participaram, ontem de manhã, em Londrina, de uma caminhada organizada pelo grupo londrinense denominado Canoas contra uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a interrupção da gestação de fetos anencéfalos (sem cérebro). O grupo Canoas existe há dois anos e é formado por profissionais de várias áreas que lutam pelo exercício da cidadania.
A médica geriatra Renata Dip que é membro do grupo acredita que, embora sem cérebro e praticamente sem expectativa de vida, tem o direito de nascer. ''Não é porque ele vai morrer logo que vamos matá-lo antes. Com essa lógica também poderíamos desligar os aparelhos que sustentam pacientes nas UTIs'', justificou a médica.
De acordo com a presidente do grupo Canoas, Sônia Cyrino, o objetivo da caminhada foi chamar a atenção da comunidade para o assunto e conscientizá-la da importância da vida. A bacharel em direito Neide Naomi Hirama disse que o aborto do anencéfalo traz prejuízos psicológicos e físicos à mãe que pode ter dificuldade para engravidar novamente. ''Acho que uma decisão como essa necessita de muita informação que deveria ser transmitida, principalmente, pelos médicos'', disse Neide.
Para Renata Dip, o maior perigo na aprovação deste projeto de lei é a brecha que ele abre para o aborto de fetos com outras anomalias físicas ou psíquicas. De acordo com a farmacêutica Mércia Preto, especialista em Bioética, não podemos comparar a morte natural com a morte provocada e o fato da imperfeição não anula sua dignidade. ''Cabe a nós ajudar esses seres indefesos a, pelo menos, nascer'', concluiu.
Os manifestantes percorreram o Calçadão e seguiram até o Zerão. Contato com o grupo Canoas pode ser feito pelos e-mails: [email protected] ou [email protected] ou ainda pelo telefone: (43) 3325-7238.


