Grupo ligado ao Vaticano foi o derrotado nas eleições da CNBB
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Roldão Arruda Enviado especial 
Indaiatuba, Sp, 23 (AE) - Nas eleições para a diretoria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o grupo que aparenta ter maior proximidade com o Vaticano foi o principal derrotado. Dele fazem parte, entre outros, os responsáveis pelas duas arquidioceses mais populosas do País: o cardeal Eugênio de Araújo Sales, do Rio, e d. Cláudio Hummes, de São Paulo.
O cardeal Sales, apontado como o brasileiro mais ouvido pela Cúria Romana, apoiou a articulação de bispos conservadores da qual saiu a candidatura de d. Cláudio. Embora lançada há quase um ano, a candidatura foi selada em fevereiro, nos bastidores do curso de atualização para bispos realizado no Rio. Mais de 150 membros do episcopado participaram do evento e os conservadores saíram de lá com a impressão de que d. Cláudio estava praticamente eleito.
Enganaram-se. A assembléia dos bispos preferiu eleger d. Jayme Chemello, que dirige uma pequena diocese no Rio Grande do Sul e é mais identificado com a ala progressista. Os conservadores tentaram, num derradeiro esforço, eleger d. Cláudio para a vice-presidência, mas a assembléia preferiu o arcebispo da Paraíba, d. Marcelo Pinto Carvalheira. A dupla derrota do grupo vaticanista não deve ser vista como uma grande vitória dos progressistas. D. Luiz Demétrio Valentini, indicado para o cargo de secretário-geral, acabou derrotado pelo conservador d. Raymundo Damasceno.
Para três veteranos assessores da CNBB, o episcopado pendeu mais do que nunca para o centro, com pequena tendência para a esquerda.


