São Paulo, 29 (AE) - Armados com fuzis, metralhadoras e pistolas automáticas, 15 homens invadiram na madrugada de hoje o 40.º Distrito Policial, na Vila Santa Maria, zona norte de São Paulo, e resgataram 142 presos. O objetivo dos criminosos, segundo a polícia, era libertar o traficante Germano Expedito de Oliveira e três ladrões de bancos que deveriam estar na Penitenciária do Estado.
Um sargento da Polícia Militar foi baleado à queima-roupa durante a ação. Este ano já ocorreram 35 resgates de presos em delegacias, sendo 9 na capital e região metropolitana e 26 no interior de São Paulo .
O traficante Oliveira deixou na cela seu pager com duas mensagens gravadas. Uma delas alertava para o dia e a hora do resgate. Com as informações do pager, a polícia espera identificar os responsáveis pela invasão e resgate. Em outra cela foi apreendido um celular.
Invasão - A invasão ocorreu pouco depois da 1 hora. O delegado de plantão José Bernardo de Carvalho Pinto, de 37 anos, se preparava para autuar em flagrante quatro homens e duas mulheres que haviam assaltado uma pizzaria. Cinco homens com fuzis e metralhadoras entraram e dominaram, além do delegado, o escrivão João Paulo Valente, de 23 anos, o investigador João Marcelo Hernandes, de 28, a carcereira Maria Helena do Nascimento, de 45, o soldado da PM Vidal Alves Ferreira, de 31, e o sargento Valdívio Dias, de 47. Todos foram desarmados e obrigados e ajoelhar-se no corredor do plantão.
Logo depois chegaram outros dez criminosos. Um deles, muito nervoso, dizia que estava "a fim" de matar um "tira" para mostrar a "força dos bandidos". A carcereira teve de entregar as chaves da carceragem e em pouco tempo as cinco celas foram abertas.
O soldado Ferreira contou que ele e o sargento Dias tinham chegado ao distrito havia poucos minutos, com os presos e as vítimas do assalto à pizzaria. As vítimas foram ameaçadas e uma delas acabou agredida a coronhadas. Os quatro homens e as duas mulheres autores do crime só não fugiram porque estavam numa cela afastada da carceragem.
Todos os policiais foram obrigados a ajoelhar e a deitar no corredor do plantão. "Ninguém falou nada", contou Ferreira. Segundo ele, um dos criminosos olhou para o sargento e disse para um cúmplice: "Cuidado com o tiozinho que ele é ligeiro." Em seguida, o PM foi baleado.
"Ato covarde" - Um dos criminosos, que tinha na mão direita uma pistola automática calibre 45 e na esquerda uma metralhadora, deu um tiro à queima-roupa nas costas do militar. Ajoelhado e com as mãos sobre a cabeça, ele não fizera qualquer gesto de reação. "Foi um ato covarde, de um criminoso disposto a tudo", afirmou o soldado, companheiro do sargento. O projétil de calibre 45 entrou pelas costas e saiu no peito. Dias está internado no Hospital Militar. Os ladrões levaram dois revólveres calibre 38 dos PMs e duas automáticas calibres 45 e 380 do investigador Hernandes.
Fugitivos - Os fugitivos eram autores de assaltos, assassinatos e vendedores de crack, maconha e cocaína. Eles saíram do distrito pelas portas principal e lateral. Muitos tiros foram disparados pelos criminosos na direção do prédio onde está instalada a 2.ª Companhia da Polícia Militar, nos fundos do DP. As balas acertaram as paredes e o vidro de uma janela. Em menos de três horas, 76 dos 142 presos haviam sido recapturados e reconduzidos ao distrito.
Crítica - O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado, Paulo Fernando Fortunato, em nota oficial, responsabilizou o governador Mário Covas e o secretário da Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi, por "mais este resgate". Para Fortunato, o secretário e o governador têm tratado "a segurança pública com descaso". Ele afirmou que a associação vem há tempos alertando sobre o reduzido número de policiais nos distritos. Fortunato quer a Polícia Militar na guarda externa dos DPs onde estão detentos que deveriam estar nas penitenciárias ou casas de detenção.

mockup