Rio- Juízes, desembargadores, artistas e políticos lançaram ontem manifesto contra o que classificam de ''políticas de extermínio'' adotadas pelo governo do Estado. O movimento é capitaneado pelo músico Marcelo Yuka, que ficou tetraplégico ao ser atingido por bala perdida. O documento foi assinado por 105 pessoas ou entidades e será entregue ao observador das Nações Unidas Philip Alston, relator para os crimes de execução sumária. ''Tem uma coisa construída no imaginário popular de que Justiça deve custar vidas. Viemos aqui dizer que esse pensamento não é hegemônico.
Além das ações no Complexo do Alemão e na Favela da Coréia, começaram a surgir opiniões que beiram o fascismo, como a que associa o combate à violência, ao aborto. A sociedade civil não concorda com esse pensamento'', afirmou Yuka, pouco antes do lançamento oficial do manifesto, na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio.
De acordo com Yuka, os laudos cadavéricos feitos por peritos do governo federal são ''tão impressionantes'' que motivou a Organização das Nações Unidas (ONU) a mandar um observador ao Estado. O músico criticou ainda a Anistia Internacional e a comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, que não subscreveram o manifesto. ''A Anistia chegou a alegar que não assinava porque o texto estava inadequado aos seus padrões. Acho que foi balela. Acho que há outros interesses políticos envolvidos'', afirmou Yuka.
Assinaram o manifesto artistas como a atriz Letícia Sabatella, os músicos Jards Macalé; Gabriel, O Pensador; Beth Carvalho, Lobão, além de quatro desembargadores, cinco juízes, professores, sociólogos, jornalistas, advogados e políticos.

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