Grupo judeu quer que Iugoslávia peça extradição de guarda
Zagreb, 02 (AE-REUTERS) - Uma organização judaica pediu hoje (02) à Iugoslávia que renove seu pedido de extradição de Nada Sakic, guarda de um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial liberada na segunda-feira pela Croácia depois de retirar todas as acusações contra ela.
O Centro Simon Wiesenthal (CSW), que, entre outras atividades, persegue antigos nazistas, havia criticado anteriormente o governo croata por sua decisão "política" de colocar em liberdade Sakic, que foi extraditada da Argentina no ano passado para ser julgada por crimes de guerra.
O centro afirmou que a decisão é uma prova de que a Croácia nunca teve intenção verdadeira de promover justiça para as vítimas das campanhas de limpeza étnica da Segunda Guerra Mundial na Croácia.
Sakic, de 72 anos, foi libertada na segunda-feira de uma prisão de Zagreb depois que o procurador do estado afirmou que não existem evidências suficientes para acusá-la formalmente depois de uma investigação de três meses.
A libertação foi "exatamente a paródia que os ativistas temiam que poderia ser encenada na Croácia", afirmou o rabino do CSW Abraham Cooper, em um comunicado enviado por fax de Los Angeles.
Milan Bulajic, diretor do Museu Iugoslavo das Vítimas do Genocídio de Belgrado, disse que estava surpreso já que a Croácia juntou ao pedido de extradição uma explicação dos crimes dos quais Sakic, que vivia na Argentina, seria acusada.
"O mesmo procurador que enviou o pedido e a explicação diz agora que não existem evidências", afirmou.
O pedido de extradição da Croácia teve prioridade sobre a apresentada à Argentina pelas autoridades iugoslavas porque os supostos crimes foram cometidos na Croácia.
Efraim Zuroff, do escritório do CSW em Jerusalém, escreveu ao embaixador iugoslavo em Israel, Mirko Stefanovic, pedindo que as autoridades iugoslavas retomem o caso, informou o centro em um comunicado enviado por fax a Reuters em Zagreb.
"Sabemos que as autoridades judiciais iugoslavas possuem testemunhos relacionados com os crimes cometidos por Nada Sakic no campo de concentração de Stara Gradiska e pedimos portanto uma ação imediata nesta questão", assinalou.
Zuroff havia afirmado mais cedo à REUTERS que talvez não exista precedentes num caso em que alguém extraditado tenha sido libertado sem acusações. Segundo ele, existe um aspecto político no caso.
Em sua mensagem anual sobre o estado da nação em janeiro, o presidente Franjo Tudjam referiu-se aos casos contra Sakic e seu marido como "renovadas manipulações ocidentais de crimes de guerra" para fazer pressão política sobre a Croácia.
"Se o presidente de um país diz uma coisa desta, é óbvio que não existe vontade política para se ir à frente", afirmou Zuroff.
Sakic estava presa desde o começo de novembro quando ela foi extraditada da Argentina para enfrentar acusações, entre outras, de tortura de civis, enquanto era membro do regime croata de Ustashe, apoiado pelos nazistas.
Seu marido Dinko, de 76 anos, continua em custódia em Zagreb esperando o início de seu julgamento por crimes de guerra, marcado para março.
O casal foi integrante do brutal regime Ustashe que governou o Estado Independente da Croácia de 1941 a 1945. Ele impôs leis racistas e estabeleceu campos de extermínio nos quais dezenas de milhares de sérvios, judeus, ciganos e croatas antifascistas morreram.





