Vânia Casado
De Curitiba
Um edifício de luxo, no elegante bairro do Batel, em Curitiba, foi assaltado ontem à tarde por uma quadrilha de cinco homens e uma mulher (alta e loira). Eles estavam armados com revólveres e facas, renderam o porteiro e em seguida roubaram os 10 apartamentos do edifício, localizado na Rua Gutemberg, 120. Estavam à procura somente de jóias e dinheiro. Não se interessaram por bens de maior valor como televisores e videocassetes.
A ação mobilizou os altos escalões da Polícia Civil e Militar. O delegado da Polícia Civil do Paraná, Ricardo Képes de Noronha, esteve pessoalmente no local e garantiu que a ação não ficará impune. Pelo depoimento dos moradores ele acredita que a quadrilha é de pessoas de outro Estado, provavelmente de São Paulo, em função do sotaque. A Polícia Técnica, o Comando de Operações Especiais (COPE), Delegacia de Furtos e Roubos e a Polícia Militar estavam no local fazendo as primeiras investigações.
Conforme relato do tenente Marcelo Toniolo de Oliveira, coordenador do policiamento do 12º Batalhão da Polícia Militar, os assaltantes renderam o porteiro com a argumentação de que queriam entregar um presente para a desembargadora que mora no edifício. As autoridades não confirmaram, mas desconfia-se que seja a desembargadora Regina Helena Afonso Portes, a única desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná. O porteiro abriu a porta e foi rendido. Em seguida, os membros da quadrilha se dividiram. Uns ficaram na portaria rendendo as pessoas que chegavam, enquanto outros iam nos apartamentos, com a argumentação que era para entregar um presente. À medida que as portas iam sendo abertas, os apartamentos eram invadidos.
Segundo o delegado Noronha, a ação durou cerca de duas horas e pelas características pode ser a mesma quadrilha que fez assaltos semelhantes no Champagnat e no Cabral, outros bairros de classe A de Curitiba. De acordo com o relato dos moradores, Noronha concluiu que os assaltantes conheciam a rotina do prédio, dos moradores, inclusive sabiam qual apartamento tinha cachorro. ‘‘A quadrilha agiu com profissionalismo porque fez um levantamento completo da rotina dos moradores antes da ação’’, disse.
Ao ser informado por uma moradora da rua que frequentemente vê carros parados por um longo tempo com pessoas dentro, Noronha alertou que a polícia precisa ser avisada imediatamente. ‘‘As pessoas precisam ter a cultura da segurança e avisar a polícia qualquer irregularidade na rua.’’ A Polícia não divulgou o valor total roubado.
José SuassunaO prédio tem proteção de muros e porteiro eletrônicoMoradores ficaram
presos no banheiro;
alguns foram agredidos
Os moradores do edifício Zarli, no Batel, estavam assustados com o assalto. Eles foram presos num banheiro e num quarto que ficam no andar térreo e alguns apanharam no rosto por estarem alterados. Só no banheiro havia 12 pessoas. O prédio com 10 apartamentos é seguro, com proteção de muros e porteiro eletrônico. Mesmo assim, ainda tem um porteiro na entrada do prédio. O morador Amando Humia, do apartamento 41, era um dos poucos que aparentava tranquilidade e foi conversar com a imprensa. Ele disse que abriu a porta do apartamento assim que tocou a campainha e do lado de fora disseram que era para entregar um presente. Ao abrir a porta foi flagrado com um revólver apontado para sua cabeça.
Humia não tinha idéia ainda do que foi roubado em seu apartamento. Mas disse que as jóias e o dinheiro que tinha foram levados. Os demais moradores também não tinham um levantamento do prejuízo. Segundo Humia, os apartamentos foram todos revirados pelos assaltantes. O tenente Oliveira, da PM, disse que os moradores agiram corretamente sem reação. A quadrilha só agiu com violência contra os moradores mais alterados. (V.C.)Ladrões renderam o porteiro e entraram em todos os apartamentos, em busca de dinheiro e jóias; a ação da quadrilha durou cerca de duas horas
José SuassunaMobilizaçãoDelegado Ricardo Noronha (ao centro, de camiseta listrada) esteve no local conversando com moradores

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